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terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Nada mudou

«Tenho saudades da velha amiga alegre com soluções para tudo, espero que esteja ai bem dentro de ti, porque tu és assim. Não fiques triste, tudo tem uma resolução. Um dia depois de outro»

Grande amiga,

A tua "irmãzinha" talvez tenha mudado. Não apenas a vida e seus acontecimentos nos levam a mudanças mas também nós, aqui dentro, queremos mudar. Não é amargura. Não é falta de cortesia ou preocupação, não é indiferença ou ausência, é apenas assim, não sei explicar.
Tenho saudades de sorrir contigo, de ver os teus lindos olhos azuis brilhar acompanhados por um sorriso aberto e bonito (o teu), tenho saudades de dançar em mosh e aos pulos, divertidas e livres e trocar cassetes gravadas com as nossas músicas preferidas, ir à discoteca, tenho saudades de ir a tua casa e comer comidinha caseira acabada de sair da horta ou pomar dos teus pais que tão carinhosamente me oferecias...saudades de ir a teu lado para a escola e estudar no intervalo contigo, tirarmos dúvidas ao telefone horas a fio e gozar com os professores mais caricatos, como o Carlitos Avioneta, Caravela e o bafo de bode, ir contigo a festivais de verão e férias na Nazaré... É saudade porque o vivemos. É saudade mas podemos recordá-lo lado a lado, sempre, até morrer...
A vida corre, parece um fio de água que não cessa de correr. Mas ainda bem, é sinal que um novo dia nos espera e que faremos tudo para o tornar especial. Eu aqui, Tu aí. Tu aí vives para salvar vidas humanas, tu és uma verdadeira heroína. Admiro-te e fico tão feliz por saber que existe alguém como tu neste mundo. Eu aqui, para ajudar o próximo a valorizar-se. Percursos diferentes mas que nunca nos separaram ou poderão remover-nos o que nos une. Sinto-me bem, nem sempre alegre, é verdade, mas continuo a viver a vida intensamente, dedico-me a senti-la na totalidade, no melhor que ela tem, aproveito-a, sorrio com e para ela, é uma dádiva, é a melhor oportunidade de todas. Os possíveis instantes de tristeza são de imediato derrubados quando vejo ou penso nas pessoas que amo, e tudo parece mais simples. Sim, tenho-me isolado, mas não para me afastar dos outros. É tempo de diálogo interior, e muitas vezes quem me rodeia não entende porque estou tanto tempo "comigo mesma". Mas certamente compreenderão que preciso desse tempo. Quando estou perto de alguém esse tempo tem que ser "de qualidade", não faço esforços para agradar, por isso não estou, é simples.

Como te disse ontem "admiro-te em silêncio" e é nele que te digo muitas vezes a falta que me fazes. Fizeste-me pensar muito, fizeste-me questionar o quão diferente poderei estar e se essa diferença me leva a afastar das pessoas? Pensei, pensei e consegui "agarrar-me" a tempo com sensatez e lucidez e o meu coração fala aqui por mim. Escrevo-te para que saibas que não estou triste (é que não tenho nada para estar triste, outrossim têm certamente, por inúmeros motivos, porque comigo partilham infortúnios, desgraças, mortes, eles sim têm todos os motivos para estarem triste). Para que saibas que nada tem a ver com o que sinto por ti, foram apenas maus humores circunstanciais que colidiram com os compromissos assumidos contigo. Desculpa-me amiga. Em breve estaremos juntas, os meus olhos continuarão a sorrir ao ver os teus, dois céus que se juntam para celebrar o que é eterno: a amizade.
Serás sempre a minha "Mé", a amiga que eu amo e admiro para sempre, a amiga que eu sei que me ama e que sempre me admirou, incondicionalmente. Ao pousarmos o olhar em nós, veremos que nada mudou, vais ver! Até breve :)

16 Setembro 2005

Esses dedos finos

A simples parecença não se assemelha. Bebes um café, apertas o lábio e lês uma frase de Einstein. Seguras no pacote de açúcar, com as tuas mãos finas e delicadas e mete-lo debaixo da chávena, onde essa frase ficou bem segura como se estivesse guardada a sete chaves. Acompanho-te com o olhar, este que brilha mal sente a cor e textura dos teus lábios. És a companhia ideal.

Há uma luz no tecto que pouco brilha mas mesmo assim gosto de focá-la, distorcendo a vista em raios longos e dourados. Tremias. Penso que tremias de desejo. Apenas a mim consegues suportar. Serei um anjo ou apenas eu?
Queria-te sempre por perto.
O sítio onde me encontro não tem pessoas nem olhares que condenam, neste sítio não há tristeza nem rotina, não há dissabores nem banalidades. Qual patetice intrínseca a qualquer momento vivido diariamente, porque separados estão. Aqui não temo o futuro, muito menos a tristeza de não saber por onde ir e escolher. Aqui tudo tem luz. Aqui o humor está em equilíbrio e em felicidade.
Bebes num só trago a cerveja que resta, fitas-me com o olhar, sempre doce e dizes "Vou ficar contigo mais um dia". Sinto a alma explodir de alegria. Com esses dedos finos seguras-me na mão e dizes "vamos embora"... tenho tanto amor para te dar.
25 Agosto 2005

Peixe vermelho

Tu chamas-lhe "praça", eu mercado municipal. Mas tenho a certeza que mesmo quando entras nesse sítio os odores são de tal forma distintos que os teus olhos reluzem de entusiasmo. Como é possível? Entras, uma mistura de pessoas, cores, odores, legumes e fruta, café, bolos de amendoim duros. O andar de cima. Peixeiras em pouca histeria. O peixe vermelho tem um aspecto mimoso e uns olhos meigos. Respiras fundo e abraças. Sim! Uma melancia, por favor.
Ao longe uma avó babosa que ridiculamente repete "olha o passarinho, piu-pui". Mas porque raio dizem isto às crianças para elas comerem? É o avião, é o passarinho, esta é para o primo e esta para a tia dos açores!! Uma colher transformada em avião! Enfim...
Para fugires dos outros vais para perto de ti.
Não tenho a certeza da tua identidade. Enquanto aguardo, porque o negócio da venda de frutos secos também está mau, espero por ti amanhã. Terei sempre um saquinho para matares a fome.

19 Agosto 2005

Surpresa!

Sim, meu amor, escrevo para ti...
Supresa!

Imagino-te agitado e ansioso, o coração parece sair do peito, os olhos não conseguem focar nada com precisão, procuras-me onde sabes que não estou mas mesmo assim procuras-me. Está quase...quase!
Nunca desejei tanto um momento como desejo este...

...
( há alguns dias atrás)

Pedi aos deuses, ao céu, às estrelas, que as nuvens sobrevoassem depressa o passar dos dias e das noites, para assim poder estar contigo, nessa magia que é só nossa, nesse amor que embriaga os nossos sentidos e nos leva para longe, para perto de nós…
"Não vejo a hora de podermos rir desenfreadamente, de forma única e cúmplice, rir das baboseiras, rir de tudo e de nada, saltar a fronteira do imaginável, povoar sítios que só ao teu lado conheço e consigo sentir, permanecer. Com magia e deslumbre.

Lado a lado sentimos o que muitos nunca sentirão ou sequer imaginam poder sentir. És criatividade e imaginação. És a tela que observo e contemplo demoradamente. Delicia-me recordar-te!
És tão importante para mim. Sinto-o, percorre-me as veias.
Levo-te para todos os lugares onde vou.
Sinto tantas saudades. Saudades imensas. De te abraçar, de sentir o teu cheiro e calor, de sentir o despertar único, que só tu permites. É magia, tão simplesmente, MAGIA!
Meu amor, Espero-te, numa ânsia constante. Espero-te, Aqui e Agora, Hoje e Sempre!
Espero por ti! Contra o tempo, contra os acontecimentos sucedâneos, espero-te, permaneceremos fortes, porque este amor é vida e tu és tão valioso. O meu menino é de Ouro! "

É HOJE :)

18 Agosto 2005

"Carta para Leonor no dia em que faz 22 anos"

“Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar o pessegueiro em flor no campo em que floresce. Isto não tem a ver com o dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que não têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está aonde ela não está, de mistura com o sono que nos agarra quando a vemos. É assim também o amor. É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos sempre pesados como água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar. E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer nunca o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo. A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus próprios olhos antes de olhares para os outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos. Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalharemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor. Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos mais do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, finalmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e o que nos une, isso mesmo é que é preciso não degradar. E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre... Leonor.”

Cit in “Viver todos os dias cansa”, Pedro Paixão

17 Agosto 2005

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

...o amor és tu

Dedico-te esta frase de Cícero:
"Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos a falar connosco mesmos?"

Amo-te

16 Agosto 2005

Esta cidade

Estas ruas têm um cheiro próprio, cada calçada tem uma história. Os cheiros continuam iguais. As vivências passadas nesta cidade têm o sabor da eternidade. Ando pelas suas ruas, perguntam-me "can i help you", achando que a cor do meu cabelo e corpo bronzeado significa ter outra nacionalidade. Mas não! Vivi aqui 6 anos, os mais intensos de todos, em plena auto-descoberta, onde criei amizades eternas e genuínas. Continuo a vir aqui, mas não é a mesma coisa! Não sei explicar... Era estudante de Coimbra. Agora não passo de uma turista, sem as raízes que cresceram e agora permanecem no ar, sem dar flores ou frutos. Deambulo pelas ruas, os mesmo cheiros, os mesmo sítios, algumas pessoas de outrora, as mesmas rotinas... onde eu já não pertenço...
Amo esta cidade! Nela cresci, nela vivi momentos que jamais viverei. Vivi-a verdadeiramente!
O tempo limita-nos, é isso que sinto agora! Por não ter uns trocos no bolso tenho que parar de escrever.... E tinha tanto para dizer! Aí se tinha!...o sapateiro que foi arrogante porque me distraí nas compras e esqueci-me de buscar as sandálias e ainda oiço "é por isso que não se pode confiar numa mulher!" (Que raiva!), o turista que deitou um lenço de papel para o chão como se fosse um simples cabelo, as esplanadas, o rio Mondego sempre belo, reflectir sobre o tema homossexualidade e homofobia, ser feliz, ir de férias, família... Que bela tarde esta!

03 Agosto 2005

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