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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Os Dias

E arrisco-me a entrar na jaula dos teus dias
que rugem de não ser o que eu lhes prometia

Mas é para fugir de um parque mais antigo
onde rugem os meus pelo mesmo motivo

David Mourão-Ferreira


25 Novembro 2005

"Memória: o espaço em que uma coisa acontece pela segunda vez."


Paul Auster, no seu livro Inventar a solidão
24 Novembro 2005

O desperdício

"É perturbador encontrar um amigo íntimo que nos desleixou a amizade. Porque a velha química de novo se põe em marcha e a conversa flui. Como se não passasse do capítulo seguinte num livro feito de muitas noites, bastantes copos, alguns amores e dois homens a céu aberto. Mas não é verdade :(. O coração abre-se; como ele o caixote das recordações e a caixa dos afectos. Mas a caixinha da confiança cega, no interior de tudo o resto, permanece intransigente. A chave apodreceu, de tanto esperar...É muito bom o reencontro! Mas se voltarmos a viajar juntos cada um dormirá no seu quarto. E encontrar-nos-emos de manhã, na sala do pequeno-almoço, como os excursionistas japoneses, delicados e munidos das suas máquinas fotográficas. Porque a amizade, quando mostra as garras, furiosa por ter sido desperdiçada, pode revelar-se bem mais severa do que o amor."

24 Novembro 2005

Olho-vos e os meus olhos brilham de emoção. Choram e sabem porquê? Porque é tão nobre e puro este sentimento que se torna indescritível. Olho-vos e sinto-me tão feliz por vos ter... ainda ontem vos deixei. Neste instante estamos cada uma em seu lugar, sozinhas com a vida que escolhemos ou com a vida que se proporcionou. O televisor está ligado, a música também. Os mesmos objectos, a mesma rotina, os dias que passam para todas queremos um novo reencontro e porquê? Porque é amizade, porque é bem-estar assim que os nossos olhos se cruzam, assim que os nossos corpos se abraçam, assim é bom, é felicidade!

A cumplicidade que temos é um mundo de cores e sensações, em perfeito acorde. Ao ritmo daquela música dançamos em conjunto, como se não houvesse amanhã. É assim a nossa verdadeira e eterna amizade: uma troca intensa de bons momentos, uma troca de lágrimas qunado estamos tristes, somos tão unidas que custa acreditar, custa acreditar aos olhos de quem nos vê, alegres, unidas, confidentes, sorridentes, bem dispostas. É união, partilha, aproximar, viver, sentir, amar...amar...amar...

Hoje que as nossas almas "regressaram" novamente ao ritmo alucinante dos dias, podemos fechar os olhos e antes que o dia termine, sentir as recordações invadirem-nos e garantidamente, todas nós sentimos o mesmo: Amizade e Amor.

Hoje é dia de saudade mas é dia de saudade porque,como sempre, foi tão bonito, que é impossível os nossos olhos não brilharem ou chorarem. É genuína a nossa amizade, é inter-ajuda verdadeira.

Vocês são as meninas dos meus olhos, as quais admiro eternamente e em cada uma de vós encontro o caminho para a felicidade. A Sofi sempre tão doce. A Elsa sempre tão meiga. A Susi sempre tão carinhosa. A Lucci sempre tão bonita. Sabem? É tão bom ser vossa amiga... Existem poucas coisas das quais posso ter certezas, mas uma delas é que serei sempre, sempre vossa amiga. SEMPRE!

...e em breve, estaremos de novo juntas! Para sorrir, conversar, sentir tudo mas tudo de forma especial, nossa, única...

As minhas 4 flores!

Á meia-noite ao luar Vai pelas ruas a cantar Um boémio sonhador. E a recatada donzela De mansinho abre a janela À doce canção de amor Ai como é belo à luz da lua Ouvir-se um fado em plena rua E o cantador apaixonado Trinando as cordas a cantar o fado. Dão as doze badaladas E ao ouvir as guitarradas Surge o luar que é de prata. E a recatada donzela De mansinho abre a janela Vem ouvir a serenata.

24 Outubro 2005

Mundo Meu

Mundo Meu

Tantos dias vividos num mundo que é só meu e que só eu conheço. Chega a tornar-se impenetrável, o qual não consigo revelar com exactidão e clareza a ninguém. É um mundo que só eu conheço. Intransmissível. Inconfessável. Muitas vezes indefinido.
Resido lá, de vez enquanto. Nele encontro um pequeno assento de cortiça e uma parede com nuvens pintadas num fundo azul. É aí que estou muitas vezes.
Olho e não sei o que escolher. Com que estado de espírito estás hoje? Pergunta-me, dia após dia. (É verdade. Nós e a dependência dos estados de espírito. Em que se transformam os nossos dias, muitas vezes, por causa desses desequilibrados e inconstantes estados de espírito...)
A decisão é pouco determinada e fico sem realmente saber se escolhi bem, se a alma ficará realmente saciada com aquelas palavras. Preciso de palavras para viver. Procuro-as em todo o lado, procuro-as para descrever o que sinto, procuro-as para dar um significado aos outros... a mim. Mas isso é outra história!
Olho em meu redor e não vejo palavras! Incrível! Como é possível? Preciso de as ler, preciso de as absorver, preciso, agora, já. Onde estão?
E é neste desespero e ansiedade que te vejo passar por mim. Agarro-te. Agarro-te fortemente. "Anda! Tu que dás vida às palavras como nenhum outro. Vem para este mundo de indefinições. Preciso que me ensines."
Do assento de cortiça passo para o baloiço de madeira. Deixo o palpável e terreno e permito-me imaginar que ali, somente ali, os prédios não são altos e existem casas com verde em redor, ali, não existem borboletas mas eu toco-lhes.
Neste pequeno e mundo meu, há alienação e desencontro com a realidade, mas estou lá. Muitas vezes. Só eu o entendo. Só eu sei.
Vagueio sozinha. Encontro-me. Sou eu.

16 Novembro 2005


(...) Fortalece senti-lo todos os segundos do meu dia, e a noite permite-me sonhá-lo, enquanto não te tenho aqui...

11 Novembro 2005

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