quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Ano velho


Bom!
Há quem diga: "por que raio" desejamos bom ano a quem não conhecemos de lado algum?". Há quem diga que é uma azeiteirice mas a verdade é que até a personagem mais contida, reservada ou antipática, espalha aqui e ali, palavras e olhares de esperança e mundo novo, dizendo em voz tímida à senhora da loja de decoração "um bom ano para si".
Haverá neste comportamento o desejo de exteriorizar que está tudo tão mal que temos que espalhar a alegria que não sentimos ("a ver se isto melhora")? Desejar aos outros aquilo que queremos para nós? Desejar para ouvirmos a retribuição ainda mais calorosa? Ou fica bem dizê-lo?
Ou então por simpatia? Alegria? Boa disposição? Esperança? Desejo de melhoria para nós, para os outros, para o País e para o Mundo? Todos cheios de bons sentimentos...
Basta sair de casa para apreciar que muitos deambulam de cabeça baixa, questionando as pedras da calçada "Como vai ser? Estou perdido!". Por si passam outros tantos. Uns de gabardina Massimo Dutti outros com um casaco oferecido pela vizinha do 4ªandar (que sabe que vivemos em miséria extrema)...
Esta consciência social, senhora! Todos dizem o mesmo e ninguém (incluindo eu) faz nada!
O nosso quintalinho e jardinzinho arranjado (para quem o tem), a dispensa semanalmente abastecida (para quem come), o carro estacionadinho, de preferência à porta de casa (para quem o tem), os filhos que gritam e que de dia para dia, de tão "domesticados" e ensinados "que isso é feio" deixam de gritar. É um silêncio agradável para os vizinhos e para em qualquer momento, estão sentados à mesa do café e alguém histérico lhes diz "Estás tão bem comportadinho Joãzinho Maria!". Os pais sorriem contentes ao comportamento (artificial) do seu filho prodígio. Já sabe estar sentado à mesa sem falar. Nunca fala. "Que bom, aprendeu a lição", pensam os pais. Esquecendo-se, como diria Eduardo Sá " as crianças têm os olhos nas pontas dos dedos". É Hoje em dia as crianças não se sujam, "é feio". Quanto mais uma crianças estiver suja mais simboliza que brincou, descobriu, conviveu e cresceu!
Mas é assim, a todo o instante uma nova percepção que se junta à realidade até então vivida. Novos significados, novas ideias. Mas ainda bem.
... É verdade, falávamos do ano novo.
Perguntam-me e eu digo "Novo ano, a vida na mesma". Mas é isso mesmo, para quê exteriorizar imensa felicidade se a única coisa que mudou foi um dia no calendário?
Eu sei. Eu sei que até vale a pena imaginarmos que está tudo magnífico e que tudo correrá como nos desejam (naquelas mensagens todas iguais umas às outras, cópia do outro que nos enviou, e que até tem umas palavras engraçadas e decidimos enviar à extensa lista de pessoas a quem durante o ano não dissemos patavina).
A verdade é que vem um novo ano e muitos problemas existem do ano que passou. Os quais ainda não resolvemos e adiamos, adiamos, à espera que se resolvam por si mesmo!!! À espera que se dissolvam como uma bola de sabão que em contacto com a atmosfera, instantaneamente desaparece! Que ilusão...
Suspiro longo!
No Natal abanei emoções e revi amigos, que infelizmente não via há muito tempo.
O pai chorou. A mãe também. As manas disseram "és sempre a mesma lamechas!". Mas o que importa é que aquelas palavras foram directamente aos seus corações. É isso que interessa. O resto será feito de encontros cálidos e saborosos no novo ano, numa casa acolhedora e quentinha, cheia de animais que todos adoram, menos eu :)
A eles, sentidamente, desejei com toda a minha força, um ano cheio de sorrisos, mudanças, conquistas e acima de tudo, o encontro consigo mesmos...
A propósito da família...
Dizes que não ligo a ninguém e que as pessoas já não me dizem nada porque eu não lhes "ligo" ou dou a devida atenção (o que é para ti devida atenção??). Ou se oiço, faço ouvidos de marcador e depois já não me lembro da nada... Sinto-me triste por achares que eu sou sim. Não é verdade...
Tenho esta postura perante a vida, aparentando distracção e azelhice, mas...
Desculpa se não estive contigo quando mais precisaste... Talvez no meio da minha vidinha sem nenhum problema me tenha esquecido que a tua não é assim...
Aparentas força e auto-controlo, mas eu sei (porque te vi nascer) que precisas tanto de mimos como eu... que precisas que te dêem tanta ou mais atenção do que aquela que tu sistematicamente dás a todos. O teu coração é alimentado pelo bem-estar dos outros, mas por vezes esqueces-te de ti...
Desculpa...Talvez já seja tarde, mas tinha que te dizer que estarei sempre aqui por ti. E eu oiço-te com muito mais preocupação e atenção do que julgas...
Quando penso em muitas pessoas, sinto que a minha vida é mesmo só facilidades. Que até irrita.
Soube no fim do ano passado que o marido de uma senhora a quem dei formação (e com a qual criei laços de bons sentimentos, permitidos pela passagem do tempo e conversas infindáveis) falecera...
Dentro de mim sentimentos dúbios. "Telefonar é tão impessoal nestas situações", "mas é melhor do que a indiferença ou silêncio", "ligas e dizes que ela pode contar contigo para tudo o que for preciso"... Porque muitas vezes achamos que as pessoas que estão em luto, podem ser "agressivas" e que "é melhor noutra altura" mas a verdade é que, nesta situação, não existe altura certa para ajudar alguém, toda a ajuda é preciosa (e quando digo ajuda, basta um simples sorriso ou uma palavra de consolo). Ainda não lhe telefonei.
No outro dia alguém disse que não gosta de nada com hora marcada. Eu concordo.
Sinto que me perdi em vários pensamentos através destas palavras mas o mais importante foi ter escrito algumas das coisas que ainda têm sabor a ano velho.
Um bom Ano para todos! :)



12 Janeiro 2006




Jack & Rose – A balada

Um filme tocante, absolutamente único.
Provocou em mim sentimentos nunca sentidos. Fez-me recordar tantos outros...
Reforçou a ideia de que a vida é mesmo uma passagem.
Para quê desperdiçá-la em auto-comiserações, mesquinhez, egoísmo, inveja, hipocrisia?...
Devemos sim dar valor aos que amamos e dizer-lhes sempre que o sentimos e nunca adiá-lo... poderá ser tarde demais...
Posso dizer que foi o filme que mais me tocou até hoje. Que mais me fez pensar, sentir, chorar. Lágrimas densas, pesadas, acumuladas no tempo, que percorreram o corpo, como um rio que não cansa de correr... Lágrimas de libertação, de calma e tranquilidade...

Prestes a morrer, o pai disse:
"Se não gostas da situação, altera-a; Se não a podes alterar, deixa-a. A vida é tua."

03 Fevereiro 2006

Não é normal estar-se feliz?


Segundo a psicóloga Helena Marujo, autora, com Luís Miguel Neto e Maria de Fátima Perloiro, do livro ‘Educar Para o Optimismo' (ed. Presença).

O optimista "é uma pessoa que é capaz de se rir das suas desgraças, que encontra sempre alguma coisa de positivo, de engraçado, de divertido, em particular nas experiências menos positivas. É aquele que sonha e que corre o risco de que esse sonho se venha a realizar. É aquele que acredita que tem capacidades para gerir o seu destino, e que a vida não é uma coisa imposta mas algo que se constrói".

Se ainda não está muito convencido/a, observe as vantagens imediatas: "É quando sou confrontado com um problema que sei se sou optimista ou pessimista. Quando bate com o carro, o pessimista pensa: ‘Que chatice, lá tenho de pagar não sei quantos contos, lá fico sem carro não sei quanto tempo.' 0 optimista pensa: ‘Ainda bem que ninguém se aleijou.’ E enquanto o outro lamenta. ‘Isto só a mim!', já o optimista chamou o reboque e se meteu num táxi."
Apesar de a maioria das pessoas ter uma atitude optimista, a cultura portuguesa não prima pelo pensamento positivo. Os telejornais são o choradinho que se sabe. E a voz do povo também não ajuda. Quem não se lembra de ditados tão animadores como "Quanto mais alto subires, de mais alto cairás", "Quem vai ao mar perde o lugar", e o supra-sumo do optimismo: "Muito riso, pouco siso".

Não é normal estar-se feliz?

"As pessoas optimistas são aquelas que acham que a vida vale a pena ser vivida", nota Filipa Monteiro, 26 anos, jornalista. "Mas a partir de uma certa idade és suposta portar-te como deve ser. Se depois dos 11 anos andas no meio da rua a rir, toda a gente diz: ‘Olha aquela pateta No trabalho, ficas com fama de palhaça e corres o risco de não te levarem a sério."
"Na nossa cultura, por mais estranho que pareça, não é normal estar-se feliz", nota Helena Marujo. "A nossa filosofia é esperar o pior para estarmos sempre preparados. Depois quando as coisas correm bem, ficamos contentes. 0 pior é que enquanto estás a pensar a vida vai correr mal, estás a sofrer. Para além de estares a aumentar a possibilidade de que te corra mal mesmo."
Educada em Portugal por pais ingleses, Isabel Stilwell, directora do ‘Notícias Magazine, nota principalmente uma diferença de descontracção entre as duas culturas. "0 que eu acho que é muito inglês é a capacidade de nos rirmos de nós próprios. Talvez as coisas boas não sejam levadas muito a sério, mas os fracassos também não. É importante sermos pais optimistas, embora os miúdos só aos 10 anos tenham capacidade para se rirem das próprias asneiras. Em Portugal, parece que nunca passamos dessa fase: as pessoas acham sempre que nos estamos a rir delas próprias, não das situações." A alegria, o sentido de humor (às próprias custas ou na variante negra, tão mal entendida entre nós) estão ligados ao optimismo. "Eu rio-me muito de mim própria, e às vezes dizia coisas como: ‘sou mesmo idiota, dou tantos erros’. Depois ouvia: `A Isabel, até ela própria, admite que dá erros’. Costumava dizer que, em Portugal, à primeira riem, à segunda acreditam. E mistura-se muito seriedade com sério. Numa reunião, por exemplo, fica muito mal alguém estar a rir e a dizer piadas."
Assim, Atitude positiva!


01 Fevereiro 2006

Os livros são janelas


Vi um livro no lixo e arrepiei-me pensando que há livros que nascem mortos. Pode-se viver sem ler? Quem não lê não entra no rio da história e quem lê é como o mar onde desaguam muitos rios. Comprar um livro é sempre como a primeira vez, como quem marca um encontro para receber uma confidência. Uma casa sem livros está desabitada, é uma pensão... Os livros são janelas. Hoje vou abrir uma delas.

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães, in 'Não Há Soluções, Há Caminhos'.


31 Janeiro 2006

"O Psicólogo é aquele que acaba por criar uma sensibilidade especial para os sinais inconscientes das necessidades do outro ".
Eis uma das melhores descrições que alguma vez li...
É nessa sensibilidade especial e atenta que muitos dos meus dias se passam.
Nessa procura, quase inexplicável, de sinais, tantas vezes inconscientes, das necessidades dos outros, que soube que alguém desejava há 6 anos ter um filho e nunca o conseguira (devido a vários problemas, essencialmente anatómicos).
Sem imaginar, foi ao médico e soube que estava grávida de 4 meses. Alertaram-na para a possibilidade de aborto espontâneo, mas não quis acreditar, assinou um termo de responsabilidade e partiu para Lisboa. Lá disseram-lhe que estava tudo bem...
No dia seguinte, por acaso, pergunto-lhe (isto a propósito de aprendizagens decorridas junto dos familiares) se tinha filhos. Disse-me o que já vos contei.
Dei-lhe toda a força que sentia. Disse-lhe que "tudo correria bem" e que se mantivesse calma...
Hoje, saio de mais uma sala, depois de dar formação e alguém me vem dizer: "ligou uma senhora a dizer que hoje não pode vir à sessão porque o filho morreu"...
É nessa sensibilidade, sempre alerta, que me perco e não sei muitas vezes por onde seguir...
Mais um telefonema que guardo para amanhã...
Mais um episódio que marca a minha vida e que a acompanhará para sempre...
17 Janeiro 2006

O desejo comanda a vida

A vida é curta e tediosa: passa-se inteira no desejar. Adiam-se para o futuro o repouso e as alegrias, muitas vezes até à idade em que os melhores bens, a saúde e a juventude, já desapareceram. Essa época chega e ainda nos surpreende em meio a desejos; estamos nesse ponto quando a febre nos arrebata e extingue: caso nos curássemos, seria apenas para desejarmos por mais tempo.
Jean de La Bruyére, in 'Do Homem'
13 Janeiro 2006

Vem aí um novo...


Vou de mini férias. Que bom!

Deixo-vos um pensamento do Pedro Strecht:

Vive melhor quem ama mais. Adoece menos quem ama mais. Cria, inventa, sonha, cresce, marca, expande, irradia mais ainda todo aquele que se completa a si próprio através do amor que dá e recebe de um outro...
(...) Quem vive melhor a experiência do amor é irremediavelmente mais feliz. E, ao sê-lo, constituirá uma mais adequada e profícua harmonia interior, estando mais facilmente apto a fazê-lo em relação aos outros...


28 Dezembro 2005

Tic Tac

Abriste rápido. Terá sido o desejo ou o nervosismo?
Olho para ti e nunca sei se estás a sorrir ou se é um tique, acto involuntário, que expressas sem te aperceberes.
Quando me vês sorris.
Quando te vejo ri-o.
Vejo em ti a espontaneidade e pureza que eu não tenho. As amarras a que estou presa num quotidiano repetido permitem-me, paralelamente ao teu sorriso aberto, sentir que hoje sou livre. Estás na minha mente. Hoje procuro inspiração em ti.
Aliás, era importante que o fosses para todos. Sabes porquê? Eu digo-te.

Ouves uma música na rádio, gostas dela e qual é o teu ímpeto? Dançar.
Estejas onde estiveres, seja no consultório ou a ver e-mail, seja a almoçar em família, ou na escola, ou no banho e supermercado.
Vem de dentro de ti a "música do coração".
Danças sem pudor, sem preconceitos, como se não houvesse mundo em teu redor.
Eu. Eu observo-te e tento acompanhar-te. Gesticulo timidamente. Olho desconfiada para a multidão e penso que todos devíamos ser como tu: pura.

Hoje vens um pouco triste. Meto conversa contigo e tu encolhida, apenas me olhas...
O que tens? - Pergunto-te preocupada.
Respondes que não consegues contrariar a passagem do tempo. Respondes que és feliz. Que te sentes feliz.
Envoltas num silêncio perturbador deixo-te reflectir. Tento entender o teu olhar. Não sei descrevê-lo. Desculpa.

Partes sem nada dizer e se eras libertação e espontaneidade outrora, hoje representas a prisão dos meus movimentos.
Temos pouco tempo para estar aqui. É necessário este trajecto para que um dia mais tarde possa entender que no teu silêncio, outrora cálido e reconfortante, existem agora palavras sem eco, sem sentido, confusas...

Deixaste de aparecer. Deixaste-me aqui, presa ao tempo de ilusões sem cor.
Deixaste o teu rasto e energia. Eras incansável. Onde estás?

Tic-Tac.
Tic-Tac.
Tic-Tac.

É este o som que dizias ouvir sem fim dentro de ti. E que a cada passo que davas querias pará-lo.
Dizias estar farta, que passava muito rápido...

Estás a tremer de euforia porque parou. "Parou" - dizes-me.
Deixaste de ouvir e agora está tudo mais calmo e saboroso. Fico feliz por ti. Estavas demasiado perturbada.

Tic- Tac.
Tic-Tac.
Tic-Tac.

Ecoam em ti os ponteiros da vida.

Na brevidade de mais um momento, tocas na garganta e sentes o teu coração bater mais rápido que o ponteiro dos segundos e nesse segundo, nesse mesmo segundo parou... quando então, muito baixinho, sussurraste ao meu ouvido:

-"ouvi dizer que a morte está escondida nos relógios". - Chiiiiu!!!

23 Dezembro 2005

Inteligência Emocional (IE)

De acordo com Goleman, algumas habilidades emocionais são consideradas importantes para que uma pessoa alcance os seus objectivos, seja feliz e obtenha sucesso na vida. De entre algumas são citadas o controlo do temperamento, adaptabilidade, persistência, amizade, respeito, amabilidade e empatia.

Goleman apresenta-nos os seguintes níveis de Inteligência Emocional:

1. Auto-conhecimento emocional – Auto consciência: conhecimento que o ser humano tem de si próprio, de seus sentimentos ou intuição. Esta competência é fundamental para que o homem tenha confiança em si (autoconfiança) e conheça os seus pontos fortes e fracos;

2. Controle emocional – Capacidade de gerir os sentimentos: é importante saber lidar com os sentimentos. A pessoa que sabe controlar os seus próprios sentimentos dá-se bem em qualquer ambiente ou em qualquer acto que realize.

3. Auto motivação – Ter vontade de realizar, optimismo: Pôr as emoções ao serviço de uma meta. A pessoa optimista consegue realizar tudo o que planear pois tem consciência que todos os problemas são contornáveis e resolúveis.

4. Reconhecer emoções nos outros – Empatia: saber se colocar no lugar do outro. Perceber o outro. Captar o sentimento do outro. A calma é fundamental para que isso aconteça. Os problemas devem ser resolvidos através do diálogo sincero. As explosões emocionais devem ser evitadas para que não prejudiquem o relacionamento com os outros.

5. Habilidade em relacionamentos inter-pessoais – Aptidão social: a capacidade que a pessoa deve ter para lidar com as emoções do grupo. A arte dos relacionamentos deve-se, em grande parte a saber lidar com as emoções do outro. Saber trabalhar em grupo é fundamental no mundo actual.

São estas as premissas básicas e acessíveis que o autor nos fornece sendo as mesmas facilmente aprendidas e com resultados cientificamente validados pelas múltiplas experiências e estudos realizados pelo autor citado relatadas no seu livro a Inteligência Emocional.

23 Dezembro 2005


(...) Uma das minhas memórias tuas foi quando escrevemos a carta ao Pai Natal. Todos os meninos pediram carros, bonecas, jogos, mas eu pedi uma mochila e um estojo para o ano a seguir poder ir para a escola...
Lembro-me de até me teres levado contigo para comprar os selos.
Curiosamente, o Pai Natal só a mim deixou a prenda no infantário. Acho que tu me disseste que era porque ele não sabia muito bem a minha morada.
... Só alguns anos mais tarde percebi que afinal não tinha sido o Pai Natal a dar-me a tal mochila, mas sim tu.
Não sei se ainda vou a tempo de te agradecer. Foi a minha primeira mochila e ainda me lembro exactamente de como era!...»


16 Dezembro 2005

Os Dias

E arrisco-me a entrar na jaula dos teus dias
que rugem de não ser o que eu lhes prometia

Mas é para fugir de um parque mais antigo
onde rugem os meus pelo mesmo motivo

David Mourão-Ferreira


25 Novembro 2005

"Memória: o espaço em que uma coisa acontece pela segunda vez."


Paul Auster, no seu livro Inventar a solidão
24 Novembro 2005

O desperdício

"É perturbador encontrar um amigo íntimo que nos desleixou a amizade. Porque a velha química de novo se põe em marcha e a conversa flui. Como se não passasse do capítulo seguinte num livro feito de muitas noites, bastantes copos, alguns amores e dois homens a céu aberto. Mas não é verdade :(. O coração abre-se; como ele o caixote das recordações e a caixa dos afectos. Mas a caixinha da confiança cega, no interior de tudo o resto, permanece intransigente. A chave apodreceu, de tanto esperar...É muito bom o reencontro! Mas se voltarmos a viajar juntos cada um dormirá no seu quarto. E encontrar-nos-emos de manhã, na sala do pequeno-almoço, como os excursionistas japoneses, delicados e munidos das suas máquinas fotográficas. Porque a amizade, quando mostra as garras, furiosa por ter sido desperdiçada, pode revelar-se bem mais severa do que o amor."

24 Novembro 2005

Sentido

«Quando entramos em sintonia com a vida, ela mostra-nos o seu lado mais precioso. Passamos a interagir com tudo o que nos rodeia, a intuir, a amar, a sentir raiva, a sofrer, a sorrir, chorar… Conscientemente… O passado volta ao nosso presente quando menos esperamos por ele. Deixa-nos confusos e presos a sentimentos que nunca se chegaram a realizar. Leva-nos para caminhos que não chegamos a percorrer. Mas o passado volta sempre com algum propósito. E da maneira como chega, inesperadamente, sem ser convidado… Senta-se num banco de jardim e olha o horizonte com um pensamento triste, mas sábio… Assim como um velho da vida, que chegando ao limiar da sua existência apenas espera, sentado, que a vida se mostre na sua outra dimensão. Ele sabe que já nada mais lhe resta senão esperar… Chama-se solidão ao sentimento de nostalgia que nos afasta de todos, mas que nos leva ao centro do nosso ser. A consciência manifesta-se através de um olhar mais atento, de um sorriso melancólico, que nada tenta expressar, que nada tem para dar ou receber. Quando a vida chega ao seu ponto final, a nossa energia torna-se mais forte, embora pareça mais fraca aos olhos dos outros. Todos se afastam, pois todos querem continuar adormecidos e deixar a vida passar, viver de acordo com a moda do momento, alimentando as expectativas do corpo, mas não da alma. O ser humano está-se cada vez mais a desviar do centro, ao invés, anda da esquerda para a direita, sem se aperceber que é no meio, é no nada, que a vida se revela em toda a sua plenitude. A fonte que jorra água de prata, que lava sentimentos e nos dá o poder de amar, está no centro, está dentro de nós. Assim como os velhos da vida, eu me sento com o passado. Olho o horizonte com o mesmo ar perdido, com a mesma angustia de uma vida que se está a ir. Não tenho coragem de me levantar, de me despedir do meu velho companheiro de vida. E assim continuo, sem forças para fazer algo que seja, sem conseguir agarrar o presente e caminhar pelos trilhos da vida.»

Naire

Escrito verdadeiro e transparente de como muitos de nós sentem a vida passar "pois todos querem continuar adormecidos e deixar a vida passar, viver de acordo com a moda do momento, alimentando as expectativas do corpo, mas não da alma."Vamos contrariar esse pensamento ou atitude? Vamos ter força para acreditar, em nós e nos outros? Vamos aproveitar cada instante, por mais simples que possa parecer? Porque é nestes gestos simples que está a felicidade!


26 Outubro 2005

Olho-vos e os meus olhos brilham de emoção. Choram e sabem porquê? Porque é tão nobre e puro este sentimento que se torna indescritível. Olho-vos e sinto-me tão feliz por vos ter... ainda ontem vos deixei. Neste instante estamos cada uma em seu lugar, sozinhas com a vida que escolhemos ou com a vida que se proporcionou. O televisor está ligado, a música também. Os mesmos objectos, a mesma rotina, os dias que passam para todas queremos um novo reencontro e porquê? Porque é amizade, porque é bem-estar assim que os nossos olhos se cruzam, assim que os nossos corpos se abraçam, assim é bom, é felicidade!

A cumplicidade que temos é um mundo de cores e sensações, em perfeito acorde. Ao ritmo daquela música dançamos em conjunto, como se não houvesse amanhã. É assim a nossa verdadeira e eterna amizade: uma troca intensa de bons momentos, uma troca de lágrimas qunado estamos tristes, somos tão unidas que custa acreditar, custa acreditar aos olhos de quem nos vê, alegres, unidas, confidentes, sorridentes, bem dispostas. É união, partilha, aproximar, viver, sentir, amar...amar...amar...

Hoje que as nossas almas "regressaram" novamente ao ritmo alucinante dos dias, podemos fechar os olhos e antes que o dia termine, sentir as recordações invadirem-nos e garantidamente, todas nós sentimos o mesmo: Amizade e Amor.

Hoje é dia de saudade mas é dia de saudade porque,como sempre, foi tão bonito, que é impossível os nossos olhos não brilharem ou chorarem. É genuína a nossa amizade, é inter-ajuda verdadeira.

Vocês são as meninas dos meus olhos, as quais admiro eternamente e em cada uma de vós encontro o caminho para a felicidade. A Sofi sempre tão doce. A Elsa sempre tão meiga. A Susi sempre tão carinhosa. A Lucci sempre tão bonita. Sabem? É tão bom ser vossa amiga... Existem poucas coisas das quais posso ter certezas, mas uma delas é que serei sempre, sempre vossa amiga. SEMPRE!

...e em breve, estaremos de novo juntas! Para sorrir, conversar, sentir tudo mas tudo de forma especial, nossa, única...

As minhas 4 flores!

Á meia-noite ao luar Vai pelas ruas a cantar Um boémio sonhador. E a recatada donzela De mansinho abre a janela À doce canção de amor Ai como é belo à luz da lua Ouvir-se um fado em plena rua E o cantador apaixonado Trinando as cordas a cantar o fado. Dão as doze badaladas E ao ouvir as guitarradas Surge o luar que é de prata. E a recatada donzela De mansinho abre a janela Vem ouvir a serenata.

24 Outubro 2005

E lá começa o ritual... O tilintar das canetas, as conversas ensurdecedoras, os professores com as suas longas palestras, uma correria infindável pela
«E lá começa o ritual... O tilintar das canetas, as conversas ensurdecedoras, os professores com as suas longas palestras, uma correria infindável pelas escadas, a papelada sucessível, um olhar perdido num anfiteatro que espera o aconchego dos alunos. Onde nos encontramos todos e cada um nos vários momentos da vida. Apenas uma questão de Horas? Apenas uma questão de espaço e tempo? Intemporalidade espacial como lhe queiram chamar. Será aquilo que o mundo nos reserva? Será mesmo que o tempo é aquilo que dele fazemos ou mais aquilo que ele fará de nós? Os se's e os serás que nos alimentam o viver dos dias, ora como esperança de um futuro vindouro ora como auto mutilação de um presente que mais nos parece ausente. O caos do mundo submerso no meio do simplismo que é a vida. A nossa capacidade para traçar os rumos que nos destinamos a seguir, e a apanharmos com as consequências das nossas escolhas. O labirinto que umas vezes deixa portas, e outras vezes cria paredes sem elas. Uma perfeita harmonia cósmica inserida num marasmo completo. Afinal será mesmo um país cinzento? Ou uma artificialidade de cores?»

Resposta:

Questões pertinentes! Respostas difíceis e ditas consoante o estado de alma de cada um. Ao ler o que escreves posso dizer que tudo o que questionas se interliga, não existindo uma resposta correcta. Existe sim, causa consequência, consequência causa, um intrincado de ligações que revelam a complexidade da nossa existência. Penso que é importante reflectirmos. O maravilhoso da nossa existência é isso mesmo, a imprevisibilidade e a instabilidade do nosso comportamento!

18 Outubro 2005

Mundo Meu

Mundo Meu

Tantos dias vividos num mundo que é só meu e que só eu conheço. Chega a tornar-se impenetrável, o qual não consigo revelar com exactidão e clareza a ninguém. É um mundo que só eu conheço. Intransmissível. Inconfessável. Muitas vezes indefinido.
Resido lá, de vez enquanto. Nele encontro um pequeno assento de cortiça e uma parede com nuvens pintadas num fundo azul. É aí que estou muitas vezes.
Olho e não sei o que escolher. Com que estado de espírito estás hoje? Pergunta-me, dia após dia. (É verdade. Nós e a dependência dos estados de espírito. Em que se transformam os nossos dias, muitas vezes, por causa desses desequilibrados e inconstantes estados de espírito...)
A decisão é pouco determinada e fico sem realmente saber se escolhi bem, se a alma ficará realmente saciada com aquelas palavras. Preciso de palavras para viver. Procuro-as em todo o lado, procuro-as para descrever o que sinto, procuro-as para dar um significado aos outros... a mim. Mas isso é outra história!
Olho em meu redor e não vejo palavras! Incrível! Como é possível? Preciso de as ler, preciso de as absorver, preciso, agora, já. Onde estão?
E é neste desespero e ansiedade que te vejo passar por mim. Agarro-te. Agarro-te fortemente. "Anda! Tu que dás vida às palavras como nenhum outro. Vem para este mundo de indefinições. Preciso que me ensines."
Do assento de cortiça passo para o baloiço de madeira. Deixo o palpável e terreno e permito-me imaginar que ali, somente ali, os prédios não são altos e existem casas com verde em redor, ali, não existem borboletas mas eu toco-lhes.
Neste pequeno e mundo meu, há alienação e desencontro com a realidade, mas estou lá. Muitas vezes. Só eu o entendo. Só eu sei.
Vagueio sozinha. Encontro-me. Sou eu.

16 Novembro 2005

Dorme bem

Demoraste a abrir e sabes o que isso provocou? Tenho mais sono.
Sinto-me num estado de sono intermédio; o que sentes quando estás na fase inicial de uma hipnose - o sono intermédio; que é o mesmo que estar cheia de sono e os teus olhos de tão vermelhos não conseguirem focar nada em precisão.
Deixa lá o devaneio e diz o que querias dizer.
Faleceu um senhor de 92 anos, com umas orelhas gigantes e um sorriso, o mais maroto que conheci. Trabalhou desde muito novo, acabou a sua vida numa cama de um lar. Ao seu lado um senhor de pele reluzente. Deitado de barriga para cima, o olhar focado no tecto, uns olhos brilhantes. Perguntei-lhe em que pensava. Ele disse: Em nada...
Há quanto tempo está aqui deitado?
"Há um ano"...
A pensar em nada

Beijei-lhe a testa e disse "Bons sonhos meu senhor".

Era já 7 da tarde. Noite. Uma senhora trazia junto ao peito, bem junto a si, um bacio azul. Arrastava o andar. Penteava com um pente os cabelos brancos e aguardava calmamente a sua vez para ir à casa de banho antes que... antes que quê? Antes que quê???

Ir a um lar de idosos é impressionante.
Não há uma única vez que eu saia dali bem.
Deixo para trás uma realidade que também será um dia a minha...
Penso para comigo que nunca mais verei aquele senhor de sorriso maroto, que teve um fim de vida "natural", e que naquele dia ainda soube relatar as marotices vividas ao lado do seu comparsa de banco de jardim da pequena aldeia. Marotices essas que lhe deram aquele sorriso naquele momento e que docemente recordo. Sei-o feliz. Teve uma vida feliz. Bem passada ao sol num banco de jardim. Até na morte sorriu. Dei-lhe um abraço caloroso, apertado e disse "Durma bem".
É muita estranha esta sensação de ter a certeza que será a última vez que vejo alguém que gosto muito...

12 Dezembro 2005

E assim tudo passa


Espreito para fora e aqui dentro sinto-me só.
Os acontecimentos sucedem-se muito rapidamente, mesmo que os viva de corpo e alma e intensamente...
Um dia destes uma grande amiga respondeu-me "está tudo igual, estou só uns dias mais velha". Aparentemente banal mas q "entrando" nela em fundo, vestindo-a em mim, fez muito sentido e retrata muitos dos meus dias passados - ou em velocidade, ou sem novidade ou estímulo; ou sem diferença ou criatividade. Ou. "será que o que faço desperta o melhor que há em mim ou será que sou eu que não faço para que isso aconteça?" ou simplesmente não acontece...
Entras no carro como todos os dias e pensas "porque não vais a pé?"...
Sais do trabalho e dizes boa noite.
Acordas de mais uma noite em que o teu coração bateu desenfreado e sente-lo na garganta, apertado e aos pulos. Terás sonhado com o que não conseguiste viver e enfrentar?
(Ou simplesmente sonhaste porque dormiste demais). Mas faz bem. "Limpa-te a alma".
Essa passagem, tantas vezes igual ou enfadonha à anterior, do que tu foste e entretanto vais deixando de ser, vai-se reflectindo em tudo de ti sem te aperceberes...
Desmarcas aquela conversa porque vais falar em coisas que dizes "não valerem a pena", julgas já ter esquecido e ultrapassado mas não. Auto disciplinas-te, prevês o que pensar e fazer, mas foges.
Enclausuras-te no teu cantinho, onde tudo é igual ao dia anterior, onde te julgas e sentes confortável, de tão previsível que é...onde podes ser e fazer o que quiseres. E pensas todos os dias "hoje queria falar com alguém!", e esse alguém não sabes quem é ou é então uma mistura de distâncias e pedras que perduram no sapato...ou simplesmente não te apetece falar com ninguém, egoísta ficas apenas contigo...
E assim tudo passa.
Pensas que os que amas vão envelhecendo a um ritmo impressionante e que mais cedo ou mais tarde, iminente e sempre presente, um deles adoecerá. Ou estaremos todos doentes?
De dia para dia...
Quanto à época natalícia. ..Sim, o consumismo! Consumir, andar com muitos sacos na mão e de coração mais vazio. Uma enorme confusão de cores, espaços, texturas, formas circunda-te.
Cintilar aqui e ali. "Pronto! Já está, já comprei tudo!". Parece uma obrigação...
O Natal sabe bem quando à lareira posso abraçar os que mais amo e dizer-lhes (como o faço sempre que os vejo): "gosto muito de ti!". E se a família que vive distante estiver presente, tanto melhor. Aí sim, o Natal é diferente e mais saboroso!
Ontem alguém escreveu que não queria pensar em arrependimentos mas pensar no que queria fazer no novo ano que não fizera no presente...
Falou em terminar o Doutoramento, escrever um romance...
E eu?. Pensei.
O que queres? O que pretendes para ti?
Farta de assistir à evolução alheia.
....
Os dias sucedem-se, é verdade, mas com eles (por mais que pareçam ou sejam iguais e sem novidade) surgem estes pensamentos, insistentes ou profundos, que nos levam a reflectir numa primeira fase e esperemos, não sentados, que o dia de amanhã seja um pouco diferente...
O que é verdadeiramente importante para nós? Eis a conduta. Simplista mas um bom guia, parece-me!


12 Dezembro 2005


(...) Fortalece senti-lo todos os segundos do meu dia, e a noite permite-me sonhá-lo, enquanto não te tenho aqui...

11 Novembro 2005

Na primeira pessoa

Cheia de coragem e vontade disse-me que queria deixar de viver.
Deixar de viver a vida dos outros, as suas conquistas e felicidades.
Queria viver e largar o cómodo sofá, em troca de passeios ao ar livre, de mão dada à sua filha pequena...
Vi que adora o contacto com a terra, que cuida do seu jardim como de um velhinho se tratasse, acarinha-o, trata bem dele.
"Isto porque o cheiro da terra dá-me energia e sinto-me bem", disse.
Trocou os dias vividos sentados no sofá. Deixou simplesmente de assistir, impávida e serena, à felicidade dos outros. Confundia a realidade e a fantasia, onde a personagem (que era ela), ficava sempre esquecida no meio de tanta história. Uma vida esquecida, sentada no sofá, esperando não sabendo bem o quê.
Trocou esse mundo idealizado e perfeito, perverso e ilusório, pelo desejo de finalmente ser...

Ainda me disse que adorava ler e que não lia porque não tinha dinheiro para comprar livros.
Disse-me que estava farta de viver a vida dos outros e que agora, finalmente agora, queria viver a vida na primeira pessoa.

11 Novembro 2005

Bates sem compasso, incerto e arrítmico. Podias falar comigo, acalmar-me mas não tens voz, vives apenas dentro de mim. É a ti que culpam por amares sem medida e fim, é a ti que pintam cor-de-rosa ou vermelho sangue. Bates fortemente. Apertas o meu peito a cada segundo de novas emoções, ansioso porque este momento é novo, inesperado e não sabes como lidar. Bates. Acelerado. Fortemente, a um ritmo alucinante e preocupante. Não vives só. Eu acompanho-te. Acredita. Precisas de me ver sorrir. Rejuvenesces e bates cada vez mais forte. O meu entusiasmo é a tua vida. Empolgado corres desorientado, és vida interior. Estimo-te. Por vezes desprezo-te, maltrato-te e ficas encolhido a um cantinho, assustado bates fortemente. Preciso de ti. Preciso de te sentir vivo, apaixonado, cheio de força e vigor. Desculpa se te invado de tristezas e más companhias. Perdoa-me se não te respeito e te faço sentir fraco, expelir os maus-tratos. É inconsequência, eu sei. Mas guardo-te junto a mim, bem dentro de mim, onde quer que vá. Bates forte. Sinto-te. És vida em mim...

11 Outubro 2005

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Rosto


Traços físicos agarram-me o pensamento e terminam na imaginação de como poderás ser amanhã. Identifico-te mas não sei definir-te aqui e agora. A textura, cor e tonalidades pertencem-te. Nasces puro, macio, com cheiro único. Simplesmente luminoso. Transformaste. O tempo é a tua erosão. Expressas-me. Identificas-me. E a cada ruga tua é sinal que sorri e chorei. Muito mais que um corpo, muito mais... Pouso-te nas duas mãos e sinto-te, aperto-te, toco-te. Como serás amanhã? O eterno espelho de mim? Em ti, olhos transparentes revelam o espírito invasor, estados de alma reflectidos em ti, pelas lágrimas que brotas ou sorriso que expressas. Um simples olhar diz como te sentes. O teu rosto está inclinado em perfeita harmonia. É ele que me diz que estavas bem, que estavas feliz. O teu rosto... Nele recai a atenção do desconhecido, és mais um rosto para descobrir ou identificar. Desvias o olhar porque não o queres ver, podes sempre fugir ou esconder. Sombras que te perseguem. A cada ruga um novo sentir. Em cada rosto uma nova alma.

Publiquei este texto no site

http://www.escritacriativa.com/modules/news/article.php?storyid=639


10 Outubro 2005

Antes do amanhecer tens um sonho que te leva para um lugar exótico e longínquo, onde passeias perto do mar e sentes o calor do fim de dia a embater-te no corpo, por inteiro. Sentes um leve arrepio, um misto de calor e frio, e o cheiro a maresia completa este cenário. Respiras bem fundo, como quando eras criança. Enches os pulmões. Expiras num só fôlego. Sentes-te. Sentas-te. Contemplas o horizonte. O pôr-do-sol. O fim de dia. O instante mais tranquilo, o fim de dia… Onde os tons se conjugam harmoniosos. Um beijo na tua face.
Os lençóis lavados, perfumados e brancos. Acordas com o cheirinho a pão que saíu agora do forno e em cima da mesa uma tigela com doce de figo.
Vou-te buscar retratos deste e daquele momento. Apontas e dizes “momentos felizes”. Enquanto me mostras, vejo uma criança sorrir para mim. Olha-me e ri. Olha-me nos olhos, conquistei a sua atenção. Olhar para mim fê-la sorrir. Elas que têm "os olhos nas pontas dos dedos"!, digo-te fragilizada.
O meu corpo é leve. Flutuo. Respiro bem, sem formigueiros. Aproveito este instante. Em breve não estarei aqui. Recordo contigo aqueles retratos, aqueles que reproduzem o momento perfeito, o momento em que as pessoas que amas estão a sorrir, bonitas, bem dispostas e alegres. Onde os seus olhares e feições expressam com exactidão o que as invade - a felicidade de estarmos aqui.



10 Outubro 2005

Nada mudou

«Tenho saudades da velha amiga alegre com soluções para tudo, espero que esteja ai bem dentro de ti, porque tu és assim. Não fiques triste, tudo tem uma resolução. Um dia depois de outro»

Grande amiga,

A tua "irmãzinha" talvez tenha mudado. Não apenas a vida e seus acontecimentos nos levam a mudanças mas também nós, aqui dentro, queremos mudar. Não é amargura. Não é falta de cortesia ou preocupação, não é indiferença ou ausência, é apenas assim, não sei explicar.
Tenho saudades de sorrir contigo, de ver os teus lindos olhos azuis brilhar acompanhados por um sorriso aberto e bonito (o teu), tenho saudades de dançar em mosh e aos pulos, divertidas e livres e trocar cassetes gravadas com as nossas músicas preferidas, ir à discoteca, tenho saudades de ir a tua casa e comer comidinha caseira acabada de sair da horta ou pomar dos teus pais que tão carinhosamente me oferecias...saudades de ir a teu lado para a escola e estudar no intervalo contigo, tirarmos dúvidas ao telefone horas a fio e gozar com os professores mais caricatos, como o Carlitos Avioneta, Caravela e o bafo de bode, ir contigo a festivais de verão e férias na Nazaré... É saudade porque o vivemos. É saudade mas podemos recordá-lo lado a lado, sempre, até morrer...
A vida corre, parece um fio de água que não cessa de correr. Mas ainda bem, é sinal que um novo dia nos espera e que faremos tudo para o tornar especial. Eu aqui, Tu aí. Tu aí vives para salvar vidas humanas, tu és uma verdadeira heroína. Admiro-te e fico tão feliz por saber que existe alguém como tu neste mundo. Eu aqui, para ajudar o próximo a valorizar-se. Percursos diferentes mas que nunca nos separaram ou poderão remover-nos o que nos une. Sinto-me bem, nem sempre alegre, é verdade, mas continuo a viver a vida intensamente, dedico-me a senti-la na totalidade, no melhor que ela tem, aproveito-a, sorrio com e para ela, é uma dádiva, é a melhor oportunidade de todas. Os possíveis instantes de tristeza são de imediato derrubados quando vejo ou penso nas pessoas que amo, e tudo parece mais simples. Sim, tenho-me isolado, mas não para me afastar dos outros. É tempo de diálogo interior, e muitas vezes quem me rodeia não entende porque estou tanto tempo "comigo mesma". Mas certamente compreenderão que preciso desse tempo. Quando estou perto de alguém esse tempo tem que ser "de qualidade", não faço esforços para agradar, por isso não estou, é simples.

Como te disse ontem "admiro-te em silêncio" e é nele que te digo muitas vezes a falta que me fazes. Fizeste-me pensar muito, fizeste-me questionar o quão diferente poderei estar e se essa diferença me leva a afastar das pessoas? Pensei, pensei e consegui "agarrar-me" a tempo com sensatez e lucidez e o meu coração fala aqui por mim. Escrevo-te para que saibas que não estou triste (é que não tenho nada para estar triste, outrossim têm certamente, por inúmeros motivos, porque comigo partilham infortúnios, desgraças, mortes, eles sim têm todos os motivos para estarem triste). Para que saibas que nada tem a ver com o que sinto por ti, foram apenas maus humores circunstanciais que colidiram com os compromissos assumidos contigo. Desculpa-me amiga. Em breve estaremos juntas, os meus olhos continuarão a sorrir ao ver os teus, dois céus que se juntam para celebrar o que é eterno: a amizade.
Serás sempre a minha "Mé", a amiga que eu amo e admiro para sempre, a amiga que eu sei que me ama e que sempre me admirou, incondicionalmente. Ao pousarmos o olhar em nós, veremos que nada mudou, vais ver! Até breve :)

16 Setembro 2005

Então isto é tudo?

Excelente "história" do escritor Carlos Geadas. Este escreve de acordo com tudo o que sente, e que todos nós de vez enquanto sentimos ou poderemos, quem sabe, sentir. Daí a magia. Escreve o que pensamos e que nos invade e, falo por mim, não sabemos exprimir. Comovem-me as suas palavras. Sinto a cada segundo a invasão de perspectivas aparentemente "banais" mas extraordinariamente verdadeiras. Ler o que escreve é intenso, é envolvente e muito cativante.

Assim, deixo uma das muitas histórias que estão no seu site. Histórias que nos divertem, que nos entusiasmam por tamanha criatividade. Fazem-nos reflectir. Fazem sentido. Em todas elas há a plena sensação de identidade. Aqui ou ali. (estarão vocês a pensar "mas isso acontece-me tantas vezes, grande novidade!"). Leiam. Tenho a certeza que irão compreender...

... Começa assim


Então isto é tudo? É. Perguntas-me se isto é tudo. Respondo que é, que isto é tudo. Do lado de lá do vidro, mais um avião dispara pela pista. Visto daqui parece pequeno. Visto daqui parece insignificante. Visto daqui parece um pequeno brinquedo com luzes intermitentes nas pontas da asas, ganhando velocidade num corredor de luzes vermelhas e brancas, correndo, correndo. Correndo nos solavancos e barulho da pista e motores até que finalmente ascenda ao céu. Vemo-lo afastar-se, recolher o trem de aterragem, flectir sobre a asa esquerda e afastar-se num rumo electrónico que alguém, algures, traça na obscuridade de uma sala insuflada por luzes frias de monitores. E então isto é tudo. Isto é tudo. Ouço ainda enquanto te escorre uma lágrima fria na cara lavada pela luz do amanhecer que nos acontece diante dos olhos. É tudo. É tudo. Sem outras palavras senão as que continuo a ouvir dentro de mim, pouso-te sobre a coxa o meu lenço, fechado na minha mão. Depois a tua mão sobre a minha, empurrando o lenço. Sinto-me ridículo por ainda usar lenço nesta época tão descartável, tão reciclável, tão impessoalmente higiénica. A tua mão sobre a minha recusando o lenço. Recusando-me. Afastando-me quase suavemente para um recanto qualquer que caia fora do teu mundo, da tua solidão, de ti. E eu a guardar o lenço, eu a ouvir ainda as tuas palavras deitadas na minha resposta. E isto é tudo. Isto é tudo. Amanhece. O dia ergue-se indiferente aos aviões que o rasgam, indiferente a nós, que o vemos desta sala fria de aeroporto, indiferente a tudo.
O que te vai matando por dentro é isso. É essa procura de um sentido que não existe. É esperares todos os dias que algo aconteça e te diga a vida é mais que isto. Mas só encontras a desilusão. Esbarras diariamente na repetição cíclica de uma vida que não se supera, que não mostra uma razão de ser, que não satisfaz os sonhos que foram esmorecendo. É isso que me dizes quando olhas para mim sem realmente me veres. Quando dizes que conseguiste sempre tudo sem conseguir a única coisa que realmente desejavas. Não dizes essa última palavra. Não a dizes. Olhas para mim, dizes o que dizes mas faltam-te as forças para completar a frase que, depois de um silêncio que poderia ter sido longo, longo, terrivelmente longo, eu completo. Felicidade. E dizê-lo é não sentir o chão debaixo dos pés. Dizê-lo é pronunciar uma condenação. Conseguiste tudo menos ser feliz. Os teus olhos muito abertos, fixos numa abstracção qualquer. Fixos em nada. Para lá de nós, os aviões a correrem a pista numa ordem que se entende, numa sinalética plena de sentido. Aviões que descolam e recolhem os trens de aterragem numa ordem metódica, meticulosa. A asa a flectir. As luzes que piscam até que se apaguem na distância do sonho, da irrealidade, da desilusão de algo que não vai acontecer. Por trás, o sol. Pleno. Incandescente. Avassalador na lentidão com que se ergue sanguíneo da terra, das nuvens, da névoa baixa que ainda ronda entre os aparatos do mundo dos homens. E é glorioso ver o nascer o dia. É glorioso assistir ao milagre que para nada serve, que nada traz, que nada leva.
Para onde ias? Para onde tencionavas ir? Encolhes os ombros absorta numa distância tão longínqua como o som das minhas perguntas. Passas-me o bilhete. É um bilhete para lado nenhum. Um bilhete para qualquer sítio. Um bilhete para nada. É um bilhete desesperado, desiludido, cansado das certezas que nunca são suficientes. Não sabes. Encolhes os ombros. Os homens morrem e não são felizes. Digo-te que os homens morrem e não são felizes. Esta frase não é minha. Só é minha a convicção com que a digo, a certeza. O senti-la como minha desde há tantos anos, desde sempre. Não propriamente desde sempre mas desde o sempre que ficou quando chegaram as desilusões, quando entendi que a vida tem o tamanho da desilusão, que os sonhos nascem imensos para depois serem diariamente negociados, amputados, diminuídos na sua infinidade para se tornarem finalmente impossíveis, irrealizáveis, mesquinhos, mundanos. Até chegar ao momento em que não vale a pena sonhar pois sendo tudo possível, nada vale realmente a pena. Os homens morrem e não são felizes. Os homens morrem. E isto é tudo. É tudo. Isto. Os aviões descolam. Os aviões não sonham. Os aviões são as asas da frustração que fica depois do nosso desejo. E tudo isso te mata por dentro. E tudo isso te é inexplicável porque sabes que não salvarás o mundo, não salvarás ninguém, no final, nem sequer a ti te salvarás. É o diminuir do sonho até ficar apenas a desilusão. A desilusão de cada dia sem saídas, sem escapatórias. Tu a viver em ti e nisso nada encontrar que valha a pena viver. Mais um dia a desejar que algo aconteça. Eu entendo-te. Não te sei dizer o quanto te entendo. Eu sou como tu. Ou tu és como eu.
Quando te pergunto se podemos ir para casa, consentes. Como quem consente qualquer coisa. Poderia levar-te para qualquer sítio. Poderia até deixar-te aqui, eternamente a ver os aviões que partem para o lado de lá do teu sonho. Também eu poderia aqui ficar. Poderia acreditar que o tempo pararia e seria eternamente agora e que só existira o sol que se levanta como uma necessidade e os aviões que partem. Mas dou-te o braço e arrancamos. Regressamos a casa. Regressamos a tudo o que já conhecemos e que não nos faz felizes. Regressamos às certezas que não chegam para a vida que merecemos, que não sabemos dizer, que não sabemos concretizar. Isto é tudo. E isto é tudo. Seguimos como duas crianças perdidas num mundo vazio. Seguimos como órfãos rumo à manhã que brilha lá fora. Amparados no nosso descontentamento, duas solidões que se seguram quando tudo se torna insuportável para ser calado por apenas uma. Apenas isso. Seguimos. Seguimos apenas. Seguimos para onde todos os outros seguem. E então isto é tudo? É, isto é tudo.

Cit. in www.carlosgeadas.com

14 Setembro 2005

Sabes... as minhas mãos têm manchas de amoras, acabadinhas de colher no campo, onde outrora via a água correr entre leiras e com um "sacho" desviava-a, irrigando-a. Sabes...colher amoras relaxa-me, devolve-me à infância. Atrevi-me e arranquei legumes do terreno vizinho, quis sentir o cheiro e sabor autêntico...tudo se alterou...hoje as amoras estão pequeninas e há cada vez menos.
Entardeceu. Os meus pés sujos, o cabelo despenteado iluminado pelo sol, no campo, e tantas memórias de uma infância feliz... Agora no corpo de uma mulher, sentindo o coração pulsar com menos força. Olhos entristecidos ao ver o abandono, a terra sem vida e uma casa isolada mas tão bonita. Imaginário em tons de verde. Animais correm livremente.

Chego a casa e escrevo-te.
Obrigado por existires

12 Setembro 2005

Agonia

Agonia por não dizeres o que pensas?
Então age. Diz. Opina. Mesmo que o que aconteça fuja ao teu controlo e previsão, mesmo que seja inesperado, reage. O comodismo cheira mal e é feito de hipocrisia e paragem.
Preciso que me digas o que te faz falta, o que te incomoda. Porque tudo tem solução, os caminhos estão em ti, "Qualquer direcção, sentido ou fim. Pertence-te. És tu!".
A generosidade transforma-se numa compaixão de ti mesmo.
Pára de te lamentar. Basta.
A irritação não permite evoluir. Fala face a face, expõe os teus pontos de vista e não tenhas receio de nada

09 Setembro 2005

"Cisão da mente"... A esquizofrenia

Sempre me interessei por saber mais sobre esta doença. Sobre a qual quase todos nós temos ideias erradas. Por isso deixo-vos a questão: Esquizofrenia: uma doença ou alguns modos de se ser humano?

Já agora, deixo também algumas noções fundamentais para uma melhor compreensão do que é realmente a esquizofrenia:

A esquizofrenia tem, desde sempre, sido considerada por excelência, a doença sinónimo de loucura incurável. É uma situação que leva o doente a confundir a fantasia com a realidade e coloca em crise as suas relações consigo próprio e com o mundo. A esquizofrenia atinge pessoas jovens e, em muitos casos, tem uma longa duração, com encargos muito pesados tanto para a família como para a sociedade. Ainda hoje, frequentemente, nem os médicos nem os familiares estão preparados para enfrentar a esquizofrenia e não se arriscam a falar dela livremente e de uma forma objectiva. Esta dificuldade é um dos problemas que mais afligem a família do esquizofrénico e que, associado a um elevado envolvimento emocional, cria frequentemente verdadeiros bloqueios ao apoio psicológico que deveria ser proporcionado ao doente. Assim, as perturbações nas relações que se criam no seio do núcleo familiar acabam por se tornar mais um factor de vulnerabilidade para o doente, que já de si é biologicamente hipersensível a qualquer tipo de stress. Actualmente, todos os especialistas são consensuais em considerar que a estratégia de ataque na abordagem a esta doença deve partir de uma intervenção organizada segundo um programa que não é apenas de tipo farmacológico, mas de organização e assistência tanto ao doente como à família.

• O seu início é geralmente precoce, afectando jovens entre os 16 e 25 anos. Pode contudo aparecer mais tarde, mas o início antes dos 10 anos ou após os 50 é muito raro.

• Afecta jovens do sexo masculino e feminino com a mesma frequência, mas o seu início é geralmente mais precoce nos rapazes.

• A distribuição desta doença é mundial, tendo uma prevalência de cerca de 1%.

• Existem factores que agravam a expressão da doença como por exemplo o consumo de drogas ou o “stress”.

• Está ainda identificada a sua transmissão genética, isto é, hereditária.
Assim:

• A Esquizofrenia é uma doença do cérebro.

• É identificada por sintomas específicos e marcada por grave perturbação do pensamento.

• O tratamento é eficaz no controlo dos sintomas e impede o agravamento da doença.

• O diagnóstico precoce e tratamento podem melhorar muito o prognóstico desta incapacitante doença, promovendo a integração social.

• Com tratamento específico e suporte muitos doentes com Esquizofrenia podem aprender a lidar com os sintomas da doença e terem uma vida relativamente confortável e produtiva.

02 Setembro 2005

Como se manifesta a esquizofrenia

A divisão dos sintomas psicóticos em positivos e negativos tem por finalidade dizer de maneira objectiva o estado do paciente. Tendo como ponto de referência a normalidade, os sintomas positivos são aqueles que não deveriam estar presentes como as alucinações, e os negativos aqueles que deveriam estar presentes mas estão ausentes, como o estado de ânimo, a capacidade de planeamento e execução, por exemplo. Portanto sintomas positivos não são bons sinais, nem os sintomas negativos são piores que os positivos.

Positivos

Alucinações - as mais comuns nos esquizofrénicos são as auditivas. O paciente geralmente ouve vozes depreciativas que o humilham, que ordenam actos que os pacientes reprovam, ameaçam, conversam entre si falando mal do próprio paciente. Pode ser sempre a mesma voz, podem ser de várias pessoas podem ser vozes de pessoas conhecidas ou desconhecidas, podem ser murmúrios e incompreensíveis, ou claras e compreensíveis. Da mesma maneira que qualquer pessoa se aborrece em ouvir tais coisas, os pacientes também se afligem com o conteúdo do que ouvem, ainda mais por não conseguirem fugir das vozes.
Alucinações visuais são raras na esquizofrenia, sempre que surgem devem pôr em dúvida o diagnóstico, favorecendo perturbações orgânicas do cérebro.

Delírios – Os delírios de longe mais comuns na esquizofrenia são os persecutórios. São as ideias falsas que os pacientes têm de que estão a ser perseguidos, que querem matá-lo ou fazer-lhe algum mal. Os delírios podem também ser bizarros como achar que está a ser controlado por extraterrestres que enviam ondas de rádio para o seu cérebro. O delírio de identidade (achar que é outra pessoa) é a marca típica do doente mental que se considera Napoleão. No Brasil o mais comum é considerar-se Deus ou Jesus Cristo.

Perturbações do Pensamento – Estes sintomas são difíceis para o leigo identificar: mesmos os médicos não psiquiatras não conseguem percebê-los, não porque sejam discretos, mas porque a confusão é tamanha que nem se consegue denominar o que se vê. Há vários tipos de perturbações do pensamento, o diagnóstico tem que ser preciso porque a conduta é distinta entre o esquizofrénico que apresenta esse sintoma e um paciente com confusão mental, que pode ser uma emergência neurológica.

Alteração da sensação do eu – Assim como os delírios, esses sintomas são diferentes de qualquer coisa que possamos experimentar, excepto em estados mentais patológicos. Os pacientes com essas alterações dizem que não são elas mesmas, que uma outra entidade apoderou-se de seu corpo e que já não é ela mesma, ou simplesmente que não existe, que seu corpo não existe.

Negativos
Falta de motivação e apatia - Esse estado é muito comum, praticamente uma unanimidade nos pacientes depois que as crises com sintomas positivos cessaram. O paciente não tem vontade de fazer nada, fica deitado ou vendo TV o tempo todo, frequentemente a única coisa que faz é fumar, comer e dormir. Descuida-se da higiene e aparência pessoal. Os pacientes apáticos não se interessam por nada, nem pelo que costumavam gostar.

Embotamento afectivo – As emoções não são sentidas como antes. Normalmente uma pessoa se alegra ou se entristece com coisas boas ou ruins respectivamente. Esses pacientes são incapazes de sentir como antes. Podem até perceber isso racionalmente e relatar aos outros, mas de forma alguma podem mudar essa situação. A indiferença dos pacientes pode gerar raiva pela apatia consequente, mas os pacientes não têm culpa disso e muitas vezes são incompreendidos.

Isolamento social – O isolamento é praticamente uma consequência dos sintomas acima. Uma pessoa que não consegue sentir nem se interessar por nada, cujos pensamentos estão prejudicados e não consegue diferenciar bem o mundo real do irreal não consegue viver normalmente na sociedade.

Os sintomas negativos não devem ser confundidos com depressão. A depressão é tratável e costuma responder às medicações, já os sintomas negativos da esquizofrenia não melhoram com nenhum tipo de antipsicótico. A grande esperança dos novos antipsicóticos de actuarem sobre os sintomas negativos não se concretizou, contudo esses sintomas podem melhorar espontaneamente.

02 Setembro 2005

Esses dedos finos

A simples parecença não se assemelha. Bebes um café, apertas o lábio e lês uma frase de Einstein. Seguras no pacote de açúcar, com as tuas mãos finas e delicadas e mete-lo debaixo da chávena, onde essa frase ficou bem segura como se estivesse guardada a sete chaves. Acompanho-te com o olhar, este que brilha mal sente a cor e textura dos teus lábios. És a companhia ideal.

Há uma luz no tecto que pouco brilha mas mesmo assim gosto de focá-la, distorcendo a vista em raios longos e dourados. Tremias. Penso que tremias de desejo. Apenas a mim consegues suportar. Serei um anjo ou apenas eu?
Queria-te sempre por perto.
O sítio onde me encontro não tem pessoas nem olhares que condenam, neste sítio não há tristeza nem rotina, não há dissabores nem banalidades. Qual patetice intrínseca a qualquer momento vivido diariamente, porque separados estão. Aqui não temo o futuro, muito menos a tristeza de não saber por onde ir e escolher. Aqui tudo tem luz. Aqui o humor está em equilíbrio e em felicidade.
Bebes num só trago a cerveja que resta, fitas-me com o olhar, sempre doce e dizes "Vou ficar contigo mais um dia". Sinto a alma explodir de alegria. Com esses dedos finos seguras-me na mão e dizes "vamos embora"... tenho tanto amor para te dar.
25 Agosto 2005

Peixe vermelho

Tu chamas-lhe "praça", eu mercado municipal. Mas tenho a certeza que mesmo quando entras nesse sítio os odores são de tal forma distintos que os teus olhos reluzem de entusiasmo. Como é possível? Entras, uma mistura de pessoas, cores, odores, legumes e fruta, café, bolos de amendoim duros. O andar de cima. Peixeiras em pouca histeria. O peixe vermelho tem um aspecto mimoso e uns olhos meigos. Respiras fundo e abraças. Sim! Uma melancia, por favor.
Ao longe uma avó babosa que ridiculamente repete "olha o passarinho, piu-pui". Mas porque raio dizem isto às crianças para elas comerem? É o avião, é o passarinho, esta é para o primo e esta para a tia dos açores!! Uma colher transformada em avião! Enfim...
Para fugires dos outros vais para perto de ti.
Não tenho a certeza da tua identidade. Enquanto aguardo, porque o negócio da venda de frutos secos também está mau, espero por ti amanhã. Terei sempre um saquinho para matares a fome.

19 Agosto 2005

Surpresa!

Sim, meu amor, escrevo para ti...
Supresa!

Imagino-te agitado e ansioso, o coração parece sair do peito, os olhos não conseguem focar nada com precisão, procuras-me onde sabes que não estou mas mesmo assim procuras-me. Está quase...quase!
Nunca desejei tanto um momento como desejo este...

...
( há alguns dias atrás)

Pedi aos deuses, ao céu, às estrelas, que as nuvens sobrevoassem depressa o passar dos dias e das noites, para assim poder estar contigo, nessa magia que é só nossa, nesse amor que embriaga os nossos sentidos e nos leva para longe, para perto de nós…
"Não vejo a hora de podermos rir desenfreadamente, de forma única e cúmplice, rir das baboseiras, rir de tudo e de nada, saltar a fronteira do imaginável, povoar sítios que só ao teu lado conheço e consigo sentir, permanecer. Com magia e deslumbre.

Lado a lado sentimos o que muitos nunca sentirão ou sequer imaginam poder sentir. És criatividade e imaginação. És a tela que observo e contemplo demoradamente. Delicia-me recordar-te!
És tão importante para mim. Sinto-o, percorre-me as veias.
Levo-te para todos os lugares onde vou.
Sinto tantas saudades. Saudades imensas. De te abraçar, de sentir o teu cheiro e calor, de sentir o despertar único, que só tu permites. É magia, tão simplesmente, MAGIA!
Meu amor, Espero-te, numa ânsia constante. Espero-te, Aqui e Agora, Hoje e Sempre!
Espero por ti! Contra o tempo, contra os acontecimentos sucedâneos, espero-te, permaneceremos fortes, porque este amor é vida e tu és tão valioso. O meu menino é de Ouro! "

É HOJE :)

18 Agosto 2005

"Carta para Leonor no dia em que faz 22 anos"

“Só tem valor o que não se pode comprar. Podem-se comprar pêssegos mas não podemos comprar o pessegueiro em flor no campo em que floresce. Isto não tem a ver com o dinheiro. Pode-se dar dinheiro por coisas que não têm valor. Uma fotografia, por exemplo, tem um custo, mas o seu valor está aonde ela não está, de mistura com o sono que nos agarra quando a vemos. É assim também o amor. É sempre preciso voltar à banalidade das coisas. O espírito é só o contraste que revela. Somos sempre pesados como água e leves como o vento. Não paramos de passar. E o mistério das coisas não está nelas, nem em nós. O mistério existe e é tudo. E se quisermos saber tudo ficamos logo cegos. A bondade é o que há de mais belo, Leonor, e não se sabe o que é. É urgente que aprendas a viajar. E não voltamos nunca. E vamos acabar. O que nos espera não espera por nós. Ficaremos cansados de qualquer maneira, e não há nada a fazer e isso já o sabíamos no começo e no fim não nos podemos queixar. E no entanto vale a pena este lugar, este tempo, esta vida é um erro. Vale a pena esperar, não esquecer nunca o que nunca está presente. Vamos indo, aos poucos, a um encontro secreto. Leonor, não tenhas medo. A maldade turva o olhar, não o dos outros, mas o nosso. Não é preciso ter em conta as consequências, é no próprio fazer que a culpa se mede. Olha para os teus próprios olhos antes de olhares para os outros. O que os teus olhos vêem vem da luz que tens em ti. Foge do escuro, foge. Foge sobretudo das sombras do teu olhar. O mais precioso, por mais ténue, vale mais do que tudo o resto, mesmo sem existir. Todo o tempo é precioso. Dorme menos. Não vale a pena dormir com um homem com quem se dorme. O prazer vem só com o que acompanha da melhor maneira. De resto está só em passar e não há caixa em que se guarde que depois se possa oferecer. Só o longo trabalho salva. E o amor precisa de mais cuidados do que um jardim. Todos os dias é preciso regar o nosso amor. E podar os ramos mortos. Trabalharemos pois, Leonor, que o amor requer trabalho e o trabalho precisa de amor. Nunca saberemos o que nos une. Nem o que nos separa. Foi sempre assim. É essa a pequena grandeza que nos distingue. Só nisso somos todos iguais. O homem do lixo vale mais do que eu. A ideia que temos mais do que somos ou seremos é uma luz incerta e vaga. O mais das vezes enganamo-nos. Mais ainda quando julgamos acertar, finalmente. Temos sempre de recomeçar e é nisso que somos eternos. Louvemos pois o que nos separa e o que nos une, isso mesmo é que é preciso não degradar. E quando o corpo cansa e a alma entristece não faças caso. De vez em quando o mundo também precisa de descansar. Admira as árvores e as nuvens e a sua indiferença por ti. Não queiras ser o centro de nada. À tua volta descobre o que não és. A frivolidade gasta a alma numa inútil correria. Sê humilde e sensata. Se for preciso torna-te pesada como uma pedra que, embora pisada, não se levanta contra ninguém. E se for preciso sê como o chicote que corta, doce e alegre... Leonor.”

Cit in “Viver todos os dias cansa”, Pedro Paixão

17 Agosto 2005

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

...o amor és tu

Dedico-te esta frase de Cícero:
"Existirá algo mais agradável do que ter alguém com quem falar de tudo como se estivéssemos a falar connosco mesmos?"

Amo-te

16 Agosto 2005

Esta cidade

Estas ruas têm um cheiro próprio, cada calçada tem uma história. Os cheiros continuam iguais. As vivências passadas nesta cidade têm o sabor da eternidade. Ando pelas suas ruas, perguntam-me "can i help you", achando que a cor do meu cabelo e corpo bronzeado significa ter outra nacionalidade. Mas não! Vivi aqui 6 anos, os mais intensos de todos, em plena auto-descoberta, onde criei amizades eternas e genuínas. Continuo a vir aqui, mas não é a mesma coisa! Não sei explicar... Era estudante de Coimbra. Agora não passo de uma turista, sem as raízes que cresceram e agora permanecem no ar, sem dar flores ou frutos. Deambulo pelas ruas, os mesmo cheiros, os mesmo sítios, algumas pessoas de outrora, as mesmas rotinas... onde eu já não pertenço...
Amo esta cidade! Nela cresci, nela vivi momentos que jamais viverei. Vivi-a verdadeiramente!
O tempo limita-nos, é isso que sinto agora! Por não ter uns trocos no bolso tenho que parar de escrever.... E tinha tanto para dizer! Aí se tinha!...o sapateiro que foi arrogante porque me distraí nas compras e esqueci-me de buscar as sandálias e ainda oiço "é por isso que não se pode confiar numa mulher!" (Que raiva!), o turista que deitou um lenço de papel para o chão como se fosse um simples cabelo, as esplanadas, o rio Mondego sempre belo, reflectir sobre o tema homossexualidade e homofobia, ser feliz, ir de férias, família... Que bela tarde esta!

03 Agosto 2005

O velho louco

Tinha o apelido de Sousa. Caminhava focando o chão para sentir o piso firme com o olhar, dentro da sua cabeça maus pensamentos. Os óculos sujos assim permaneciam. Tonalidades difusas confundiam-no. Desorientado espacialmente, abandona por longos instantes o redor circundante. Teme tudo e todos. Embateu com o ombro no corpo de uma mulher vestida de rosa choque e na mão uma cesta com flores. Perdido proferiu "Quero viver e ser livre!". Caiu no chão. Na rua paralela à sua avista um casal abraçado. A mulher cambaleava, abraçando-se ao braço forte do marido, que prontamente a socorreu e segurou. A multidão continuava ao seu ritmo. Frenético. Mesmo em tempo de férias e lazer. A multidão, seus membros, seres humanos, alheios a toda essa dor, desprovidos de sentimentos de inter-ajuda. Ninguém se prontificou a sequer perguntar se era necessária ajuda ou "alguma coisa". Atravessa a rua, olha fixamente aquele cenário de dor e diz: - "Mulher, eu que não me sinto louco, atrevo-me a perguntar-lhe se precisa de mim para alguma coisa. Sabe, eles vivem depressa demais. No meu tempo andávamos de carroça e não tínhamos a pressa destes que têm carros velozes mesmo à porta de casa. Precisa de mim para alguma coisa?". O casal continua o seu percurso, num extenso areal, pesaroso de alcançar o seu fim. Ela segura o corpo numa só perna. É criança. A multidão levanta-se, cruza os braços, nessa curiosidade mórbida que é a de ver a aflição dos outros e pior, não ajudar, não reagir, não indo ao encontro de quem precisa.
Os loucos são estes basbaques egoístas.
31 Julho 2005

...

A secretária foi arrumada como nunca. Prepara-se para sair. É uma estranha sensação, esta de não sentir. Hoje deverias estar aos pulos. Mas é verdade, encaras a vida como um período de férias, descontraída e saborosa. Mas hoje estás apática. Cada vez mais triste. Ontem pensavas que este texto teria sabor a maresia, areia compacta com cheiro a algas. Imaginando-te sorridente, entrando numa pastelaria onde pedirias uma bola de Berlim com recheio esverdeado e de sabor verdadeiro. Tiras do prato uma enorme fatia de melancia e emites um "huuuuum!hummmm, está deliciosa". Observando todos enquanto comem, eles nunca se apercebem. Sorris.
A euforia do reencontro com amigas de faculdade, uma casa partilhada e muita noitadas, praia, crepes, confidências ao luar e novas actualizações de peripécias pessoais, que nos tornam únicas e eternamente Amigas. Amo-vos. Mais um capítulo da nossa história.
Dentro de mim existe agora tristeza, ninguém diria que vou de férias. Dentro de mim grito "Anima-te". Talvez um amanhecer perto do mar. Maus prognósticos. Hoje estou melancólica e não me apetece ir de férias assim. Hoje talvez te tenha perdido. Sinto-me só.

29 Julho 2005

Errado

Sinto dores que me impedem de escrever. Nesta ânsia encerrada em mim, um desejo inesgotável de "por cá fora, o que vai cá dentro". Dou-me por vencida. Não consigo continuar. É mais forte do que eu. Vêm de dentro, é forte, incontrolável, não a consigo sarar. Brota de mim, impiedosa, má, intolerante. Mas porquê?
Dores de viver neste mundo cruel e apático. Neste país onde não existe justiça, onde testemunhas são deixadas nas mãos de criminosos, bandidos, salteadores, ladrões da paz e tranquilidade. Mas porquê?
Estar no local errado, à hora errada. Justiça de merda! Corres perigo de vida e eu não posso fazer nada. Nem sequer posso ir ter onde estás...assim também eu morrerei. Sinto revolta. Criminosos em liberdade, cá fora, para entrarem em acção quando menos esperas, na rua, numa esplanada, num simples jardim, em qualquer lugar... onde menos esperas.
Têm um carro com duas matrículas diferentes. Odeio-os.
Dizem que não podem ter um polícia à porta de cada testemunha! Ridículo. Inacreditável.

...estavas no lugar errado, à hora errada, foi isso...

27 Julho 2005

Todas as manhãs

“Um homem de idade já bem avançada veio à Clínica onde trabalho, para fazer um curativo na mão ferida".
Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava perguntei-lhe sobre qual o motivo da pressa. Ele disse-me que precisava ir a um asilo de anciãos para, como sempre, tomar o café da manhã com a sua mulher que estava lá internada.
Disse-me que ela já estava há algum tempo nesse lugar porque tinha Alzheimer, bastante avançado.
Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se ela não se alarmaria pelo facto de ele estar a chegar mais tarde.

- Não - disse ele. - Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece.

Estranhando, perguntei-lhe:

- Mas, se ela já não sabe quem o senhor é, porquê essa necessidade de estar com e ela todas as manhãs?
Ele sorriu e dando-me uma palmadinha na mão, disse:
- É. Ela não sabe quem eu sou, mas eu contudo sei muito bem quem é ela.

Os meus olhos lacrimejaram enquanto ele saía e eu pensei: -"Essa é a classe de amor que eu quero para a minha vida".

O verdadeiro amor não se reduz ao físico nem ao romântico.

O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... do que já não é...".

26 Julho 2005

Zéfinha

Escassas horas, escassos instantes.
Fortes emoções.

21 Julho 2005

Em cada despedida

Será melhor agora do que depois.
A espera silenciosa arrasta os dias, sucedidos pelas noites em confidências e alimento a cada segundo, cumplicidade, unicidade, perfeição.
Acredito na perfeição. Se desde sempre a referiam como enfadonha, hoje posso dizer que a sinto, a cada beijo teu, a cada sorriso mágico que esboças, a cada passo que dou contigo ali, a cada vez que te encontro...

Vai balde de tremoços, vai carro dos gelados. Agarro no maquinista e vou eu conduzir o comboio. Atropelarei carros. Voarei até perto de ti. Abraçar-te-ei como sempre. Fortemente... Focarei os teus olhos azuis como se de uma droga se tratassem. Levantar-te-ei no ar e gritarei que te amo, para sempre...
O depois é sempre feliz. Tu és a felicidade.
Hoje acredito que existem almas gémeas e tu és a minha. Encontramo-nos.

Cada detalhe é um sonho.
O abraço forte e milhões de sorrisos e abraços, as companheiras velas de cera a reflectirem no teu rosto. Perfeito. Perfeito.
Imitas como ninguém um cigano, cantas Rui Veloso com emoção, brincas como ninguém, ouves-me com o entusiasmo do primeiro dia. E esses olhos verdes? Oh céus!... Como és belo! Amigo, confidente, cúmplice, amante...
Chocolate e bolo de bolacha, Finding Neverland, emoção, comida chinesa, há ratos na cozinha e espadas na parede, jogo dos dedos e das perguntas, reveladoras e sinceras, crescemos, cerveja boémia, operação stop e atrapalhação, "não vejo nada", colete reflector, gargalhadas intermináveis, cigano engraçado, sono ternurento. Chocolate, compras de uma hora, medalhões de pescada com creme de marisco e Champanhe, muito champanhe, luz das velas, descontracção, partilha, magia... Um jogo inesperada com sabor a tango e sedução. B52 e óculos escuros, ombros e anca, dança em brincadeira, vinho rosé e o inesperado, a Dor, a desavença, as pazes... Chocolate, vento, self-service e tigelada. Um desconhecido que deambulava por ali e me acompanhou à piscina, corrida, rapsódia ao luar, águas profundas, imprevisível o gesto de amor e desejo. Cantar, cantar, SORRIR...
"Prá toda minha vida vou-te amar, em cada despedida vou-te amar."
18 Julho 2005

Negro claro

Sozinha. Aparentemente. Surgem vozes que não ouves mas que incomodam. Perguntas triviais, sabias?
É uma hora tranquila, apesar do turbilhão que te invade e de todos os que admiras se encontrarem longe de ti. Hoje sinto-te triste, estás?
Ouves o som da guitarra que um amigo teu improvisa, te dedica, mas não fala, apenas interpreta. É belo esse instante. Há amigos que te surpreendem verdadeiramente. Canta de forma melódica. Sentes que se liberta a cada nota, a cada palavra que entoa. É um momento doce. Sinto mesmo que estás a gostar. Porque sorris, consigo perfeitamente imaginar-te. Não pode acabar, não pode, continua. É bom sentires que está perto, que a voz é doce e melódica.
Lá fora já não tens dia, nem entardecer, apenas noite, ela que te leva a casa, que te vê baixar os olhos porque estás triste ou porque estás "alguma coisa" e não sabes definir bem o quê. Há dias assim, não é? Há dias em que quase não sentes nada de especial, andas, movimentas-te, porque tem que ser. Sentes-te pesado. Tudo disperso em ti. Sentes-te quente.
Perderam-se as ideias, mas é nesse encaixe que há magia em ti. Escreves porque aqueles dedos dão dinâmica ao que pensas. Parece incoerência, nem tu consegues decifrar, sabes apenas que ele é negro claro. Patetice, não achas?
Deixa lá, ela sente-se bem depois de te dizer, escrevendo.
Uma das maravilhas da vida é poder jogar com as palavras, dar-lhes corpo, com, de preferência sem sentido, ou ter duplo sentido, em que a mensagem chega a cada um de nós de forma diferente.
Espero que gostem.
Para ti!
Para mim!

07 Julho 2005

Zimbro mel

"Tem que ir lá, é mesmo bonito, vai gostar, tenho a certeza".
Fui e vim deslumbrada.
Ali, tudo tem um sabor especial.
Antes de chegarmos existem muitas curvas, uma serra imponente rodeia a aldeia. Quando chegamos, existe harmonia ao nosso olhar. As casas são de xisto, o azul predomina, dizem que na altura apenas existia essa cor na loja da aldeia. O caminho é também de xisto, que dá ao caminhar alguma instabilidade, as ruas são misteriosas, os cantos das casas perfeitos, tudo em xisto.
Ao chegar observa-se uma igreja, branca, que destoa de tudo o resto mas que torna aquele lugar muitíssimo acolhedor e maravilhoso. As pessoas são simpáticas, faladoras, gente boa e humilde. Vivem apenas 65 pessoas. No ano de 1970 estavam recenseadas 1500 pessoas.
A água corre, é o único som que se sente naquele sítio, não há carros, não há gritarias. Apenas borboletas amarelas, pássaros, a água a correr. O que permite sentir um verdadeiro silêncio, paz e tranquilidade. É uma pacata aldeia, uma das 13 aldeias históricas portuguesas - Piódão.
Ali bebe-se aguardente de medronho ou de zimbro mel, deliciosas, digestivas e calmantes. O bolo de mel tem um sabor único.
Na casa da padaria encontramos a Sra Irene, que confeccionou o melhor pequeno-almoço que alguma vez provei. Compotas, de amora, abóbora e nozes, mel, muito mel, pão-de-ló, café com leite e uma terrina partida, fiquei com a pega na mão. Os quartos com decoração simples mas o mais bonito é mesmo a paisagem da janela que podemos observar, por longos minutos, respirar fundo, ouvir os sons da natureza na sua maior pureza. Ali, ouvimos os nossos pensamentos, flúem docemente, acompanham as borboletas que pousam na vegetação. Os habitantes têm hortas, que cuidam com carinho, que lhes dá o sustento para se alimentarem.
Os que a visitam procuram descansar dos sons agitados do dia-a-dia, dos estados de alma que não conseguem suportar, na companhia de um bom vinho ou licor, na companhia de quem amamos. Nessa troca perfeita de sentires, encontras-te! Sentes que a simplicidade vive dentro de ti, que o teu redor te contagia e te acalma. Foi um regresso ao passado, valeu verdadeiramente a pena. Pequenos gestos, escolhas certeiras, que vão delineando o nosso rumo.
Existem momentos em que a felicidade não é apenas a sensação/recordação temporária de que fomos felizes, existem momentos em que tudo, mas tudo é felicidade, em que o outro é a própria felicidade.

"Come what may..."

05 Julho 2005

Única

Se tu não és a única, então porque a minha alma se sente feliz hoje?
Se tu não és a única, então porque a minha mão se encaixa na tua desta forma?
Se tu não és minha, então porque o teu coração corresponde ao meu?
Se tu não fosses minha, com teria esta força para encarar tudo?
Eu nunca posso saber o que o futuro pode trazer
Mas eu sei que tu estás aqui comigo agora
Nós vamos superar isto
E eu espero que tu sejas aquela com quem vou partilhar a minha vida
Eu não quero fugir, mas eu não aguento
Eu não entendo
Se eu não fui feito para ti, então porque o meu coração diz que sim?
Não haverá maneira de eu ficar nos teus braços?
Se eu não preciso de ti, então porque estou a chorar na minha cama?
Se eu não preciso ti, então porque o teu nome ressoa na minha cabeça?
Se tu não foste feita para mim, então porque esta distância acaba com a minha vida?
Se tu não foste feita para mim, então porque sonho contigo como minha mulher?
Eu não sei porque estás tão distante
Mas eu sei que tudo isto é verdade
Nós vamos superar isto
E eu espero que tu sejas aquela com quem eu vou partilhar a minha vida
E eu desejo que tu sejas aquela com quem eu morrerei
E eu rezo para que sejas aquela com que eu construirei um lar
Eu espero amar-te por toda a minha vida
Eu não quero fugir, mas eu não aguento isto
Eu não entendo
Se eu não fui feito para ti, então porque meu coração diz que sim?
Não há nenhuma maneira de eu ficar nos teus braços?
Porque sinto a tua falta

De corpo e alma, e isso é tão forte que me tira o ar
E eu respiro-te para o meu coração
E eu rezo para ter essa força pelo menos hoje

Porque eu amo-te, mesmo que errado ou certo
E embora eu não possa estar contigo hoje à noite
Eu sei que o meu coração está ao teu lado
Eu não quero fugir, mas eu não aguento isto
Eu não entendo
Se eu não fui feito para ti, então porque o meu coração me diz que sim?
Não há nenhuma maneira de eu ficar nos teus braços?

04 Julho 2005

A rapidez com que invadiste o meu mundo

A rapidez com que invadiste o meu mundo foi surpreendente. Deste-lhe vida e amor.
Por vezes essa rapidez queria-se mais suave ou talvez mais previsível, ou talvez não?
Surges quando menos espero.
Também de ti não quero falar já.
Escapei-me por segundos, afim de desanuviar. É tão intenso, quão beleza em mim, perpetuada a cada segundo que respiro, durmo, sonho, a cada nuvem que sobrevoa as árvores, a cada lufada de ar fresco... a cada passo que dou.
És arte em mim, em ti, em tudo!
Todos os sentidos se bifurcam, expandes-me, sabias?

A cor que me invade tem um só nome: Tu!

27 Junho 2005

Mulheres versus Homens

O Instituto da Inteligência concluiu um estudo sobre as diferenças cognitivas e comportamentais observadas em testes entre indivíduos do sexo masculino e indivíduos do sexo feminino. Para o efeito, cruzaram-se os dados de testes de cerca de 3 mil pessoas, maioritariamente crianças e adolescentes.
Este estudo pretendeu confirmar uma série de pesquisas que têm vindo a ser desenvolvidas em países como o Canada, os Estados Unidos e a Austrália sobre as diferenças cognitivas e comportamentais entre homens e mulheres que podem ser atribuídas a modos de funcionamento distintos do cérebro.
A tendência geral dos psicólogos é o de não considerarem essas diferenças por lhes parecerem irrelevantes, preferindo acreditar que elas resultam de influências culturais, educacionais e sociais. Mas se é verdade que a influência do meio tem um forte peso na modelagem de atitudes e comportamentos, também não é menos verdadeiro que os cérebros dos homens e das mulheres apresentam algumas diferenças anatómicas, morfológicas e funcionais que explicam as formas de perceber, tratar a informação, memorizar e agir entre os dois sexos. Essas diferenças observam-se desde muito cedo, esbatem-se um pouco a partir da adolescência e, de resto, mantêm-se até ao fim da vida.
O Instituto da Inteligência, onde se realizam, anualmente, milhares de exames cognitivos e de personalidade a indivíduos de todas as idades e de ambos os sexos avançou há vários anos com um estudo comparativo entre as diferenças de prestação em testes de percepção, memória, inteligência e personalidade tendo confirmado as conclusões dos estudos que noutros centros de investigação se têm feito sobre esta matéria.

Principais diferenças observadas:


HOMENS

São melhores do que as mulheres, em geral, nas seguintes actividades e domínios:

- raciocínio matemático
- visualização tridimensional
- inteligência visuo-espacial
- actividades físicas prolongadas
- visão de detalhes
- rapidez de dedução
- pensamento abstracto e filosófico
- memória espacial
- empreendedorismo

MULHERES

São melhores do que os homens, em geral, em:

- operações de cálculo
- fluência e habilidades verbais
- concentração (são menos sujeitas a perturbações de hiperactividade com défice de atenção e a perturbações de impulsividade do que os homens)
- orientação nocturna
- pensamento indutivo
- memória de curto prazo
- persistência em tarefas complexas
- memória verbal- discriminação de cores
- rapidez perceptiva- destreza manual
- leitura de expressões faciais das emoções.

Principais zonas do cérebro onde existem algumas diferenças que podem ser responsáveis pelas diferenças atrás citadas: - hemisfério esquerdo – hemisfério direito – área de Broca (envolvida na linguagem) – amígdala cerebral – gânglios basais – corpo caloso – lobos frontais – lobo parietal – lobo temporal – hipocampo – tálamo.

Que interesse prático existe em conhecermos estas diferenças?
Muitas. Ajudar melhor as escolas a definirem estratégias que possam facilitar as aprendizagens e, ao mesmo tempo, os pais a perceberem melhor por que rapazes e raparigas revelam atitudes e comportamentos diferentes em certas situações (para cada 5 rapazes hiperactivos há apenas uma rapariga, por exemplo). Também ao nível do recrutamento e da gestão de recursos humanos, as empresas podem melhorar o empreendedorismo, a criatividade e a produtividade se conhecerem melhor (mais cientificamente) cada um dos sexos e assim promoverem melhor ambiente de trabalho e melhores resultados para todas as partes interessadas (colaboradores e gestores).

16 Junho 2005

Ama a vida

Alegra-te, amigo,
Porque tens uma escolha,
Podes sentar-te entre lamúrias
Ou levantares-te e seres feliz.
Podes desperdiçar a tua vida
Entre juízos e culpas,
Ou aprender a perdoar
E perceber que somos todos um.

Pois todos nós temos medo
E todos conhecemos a dor,
Que resultam da experiência,
E de que ninguém é culpado.
Por isso, liberta-te do passado,
Das tuas mágoas e medos,
Celebra cada momento,
E ama a vida enquanto aqui estás.

11 Julho 2005

Tentações

Como parar de comer de forma compulsiva? Gulodice ou desordem emocional?

O petiscar compulsivo é muito mais parecido com um comportamento bulímico do que com um excesso de gulodice. De facto, não é a vontade de oferecer a nós mesmos um prazer gustativo que nos leva a comer incessantemente, mas sim, pulsões de outra natureza que o fazem.
A prova disso é que quando se devoram assim os alimentos, não temos tempo de os saborear. Para além disso, não paramos de comer mesmo após alcançada a saciedade. Estas pulsões são muito mais difíceis de controlar, precisamente porque não têm nada a ver com a fome, nem têm a função vital de alimentar o corpo para que ele funcione.
Comer compulsivamente resulta, na maior parte das vezes, de uma desordem emocional.

Por detrás de uma crise de apetite compulsivo existe, regra geral, um acumular de tensões: uma emoção forte que está a ser reprimida ou um excesso de stress.
Ao comer, procuramos uma consolação, um apoio. Este comportamento reflecte as nossas primeiras experiências enquanto bebés, pois também o leite materno nos aliviou a fome e nos acalmou as emoções e o mal-estar. É também baseado nas nossas primeiras experiências que quando comemos compulsivamente escolhemos sobretudo alimentos doces (caramelos, rebuçados, chocolates, etc.), pois procuramos instintivamente o primeiro dos sabores que conhecemos e nos proporcionou prazer: o doce! :)

Nada é proibido!
Se sente aumentar o desejo irresistível de se “atirar” aos doces, é importante que não se prive radicalmente de tudo. A privação total de um desejo é a pior das soluções: ao limitar de mais dirigimo-nos para um excesso ainda maior. Esta pulsão alimentar tem as suas raízes no plano inconsciente e a nossa simples vontade não tem a capacidade para a suster. Quando cedemos, sentimo-nos culpados, um sentimento muito desconfortável a que procuramos fugir… recomeçando a comer! Mais vale tentar um acordo de paz. É a única forma de evitar o ciclo infernal da transgressão e culpa.

Para se reconciliar com as suas pulsões alimentares é necessário que as conheça. Em primeiro lugar, faça um registo sistemático dos seus comportamentos durante uma semana, onde irá anotar, de um lado, tudo o que come e, do outro, as emoções do dia. Talvez assim possa compreender o que desencadeia as crises de apetite compulsivo. Desta forma, tomará também consciência da quantidade de alimentos que ingere quando cede à tentação. Para contrariar a tendência de petiscar, experimente esperar um pouco entre o momento em que surge o desejo de comer e a sua consumação (dez minutos, por exemplo), com o objectivo de verificar se a pulsão recua. Se tal não acontecer, ofereça a si próprio uma verdadeira pausa, equilibrada, decidida e escolhida.

Para evitar comer a primeira coisa que lhe aparece à frente quando sente vontade de comer, organize-se! Em casa e no escritório tenha sempre o necessário para preparar uma pequena refeição ao seu gosto: iogurte, queijo fresco, fruta, tostas ou bolachas sem recheio…Assim quando chega a vontade de comer, poderá preparar uma verdadeira “mini-refeição” equilibrada: por exemplo um iogurte com pedaços de fruta e uma fatia de pão integral ou duas bolachas. Então, dê tempo de comer tudo isto lentamente, com prazer e sem culpa. Faça uma verdadeira pausa. Tente estar atento às suas sensações e ao seu prazer. O risco de ceder a exageros será menor.
08 Junho 2005

Entrar no mundo dos peixes

Acho que tudo começa quando nascemos, querermos bracejar no ventre materno mas não conseguirmos. A barreira física impede-nos. Priva-nos de sair dali mas dá-nos alimento para crescer e mais tarde desejarmos ser livres e percorrer caminhos desconhecidos agradáveis inóspitos
O contacto com o mundo exterior é uma aventura, sentirmos o calor do sol, ouvirmos deliciados a música que vem do exterior. Soluçarmos de tristeza, fecharmos os olhos para dormir e talvez pensar "como será amanhã". Risos. Muitos.
Uma vez aqui, dão-nos banho, perfumam-nos o corpo de carinho e cuidado.
Surge sensação de liberdade ao podermos nadar. O mar acalma. É beleza viva.
Vou falar com alguém que conhece as suas profundezas e me disse... É como entrar para outro mundo, um mundo de silêncio. - Refere entusiasmado.
A ausência de gravidade torna o mergulho muito relaxante, é bom para o stress. Lá dentro o silêncio é total e a comunicação feita por sinais. Debaixo de água falamos todos da mesma maneira.
Debaixo de água parece que entramos noutra dimensão, totalmente diferente, sentimo-nos livres de tudo, acabamos por sentir a nível mental um relaxamento muito maior.

Há pessoas que não se conformam em ver o mundo com os pés bem assentes na terra. E insistem em mergulhar no mais fundo dos mares, num regresso às origens. Mas para chegarem ao estatuto de peixes precisam de aprender: mergulham num poço de cinco metros e ensaiam para peixes.

O mar espera estes mergulhadores.

06 Junho 2005

"Muito, meu amor"

"(...) Quando vai acabar o nosso amor?

Vai acabar quando não estivermos à espera que acabe, sem mesmo se fazer notar. Só depois, mais tarde, quando se tenta recordar e se começa a perguntar: como foi que aconteceu? e não se consegue voltar lá, só entao se sabe que acabou o nosso amor. Vai acabar sem que saibamos. Só depois, quando já irreparável, é que ficamos a saber que há muito tempo, demasiado tempo, acabou o tempo do nosso amor, uma coisa passada. (...)


"Não vale a pena pensares nisso. Nem no fim nem no princípio. Não vale a pena sequer pensar no princípio nem no fim. Não existem sequer. O amor não tem tempo, vive sem nós. Nós é que vivemos no amor durante um tempo, num movimento do amor. Mas o amor, esse vai continuar, não tem maneira de acabar.
"(...) Estamos tão pobres de amor, meu amor. Sente-se tanto, nota-se tanto essa pobreza, esta falta, nunca tanto foi assim tanto, podes crer, meu amor~
É nesta falta, tão pobres dele, que ele cresce, tem de crescer ainda mais, acredita, meu amor.
E do que eu gosto mais em ti é dos teus defeitos, dos teus pecados, da tua mentira que odeias. Para se gostar mesmo, como eu gosto de ti, é preciso dar atenção ao de que não se gosta nada das outras vezes, mesmo nada, isso é que é gostar como eu gosto de ti, é isso, só isso, que me faz gostar de ti. (...) os teus feitos são mortais, mas os pecados, esses são só teus. E meus, se tu quiseres.
(...)Porque queres tu que os meus lábios sejam só teus?
Porque só eles são iguais aos teus.
E para que serve o amor, diz-me ja.
Serve para perder o medo."

Pedro Paixão in muito,meu amor

03 Junho 2005

Visitantes: